sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O POSER E O IDIOTA



De tempos em tempos volta à moda no meio do rock esse termo usado para definir quem gosta de bandas que fazem sucesso e estão no mainstream, o poser. A definição busca identificar aqueles que buscam parecer uma coisa que não são, ou seja, dizer que é do rock, sendo que não conhece o estilo a fundo.

Esse termo é usado como ofensa nos tempos de Internet, mencionado pelos que se acham superiores aos outros por gostar de certas bandas mais tradicionais, tidas como clássicas por público, imprensa e no próprio meio da música. Chegamos num ponto onde gostar de bandas como Slipknot, Avenged Sevenfold ou Coldplay é algo proibido, como se não houvesse no mundo outra banda além de Led Zeppelin, Beatles, Metallica e Black Sabbath.

Realmente devem haver pessoas que se passam por fãs de rock sem muito conhecimento e passam vergonha, mas fico pensando quantos dos que perdem seu tempo pra chamar tal banda de poser, falar que tal banda é um lixo sem nunca ter ouvido a sério seu som e, principalmente, até que ponto esse preconceito estúpido impede as pessoas de conhecer bandas novas que fazem um trabalho interessante. Muitos desses que criticam são os mesmos que falam que indie é coisa de gay, que metal farofa não presta e o pior que o rock acabou, é de dar pena.

Claro que as bandas clássicas têm seu mérito e merecem sempre a lembrança e reverência do público, pois através delas, o rock como movimento cultural se desenvolveu e permanece inserido na cultura mundial há tanto tempo, bandas como Beatles, Rolling Stones, The Who, The Doors, Pink Floyd, Creedence, Lynyrd Skynyrd, Kiss, Queen, Black Sabbath, além é claro dos primórdios com Elvis, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, entre tantos outros, são os pilares de tudo que veio na sequência. São bandas que ultrapassaram seu tempo, sua geração e viraram verdadeiras marcas, que trazem consigo toda uma camada folclórica que é sensacional de ser desvendada.

No entanto, entendo que bandas contemporâneas como Red Hot Chili Peppers, Nirvana, Guns N’ Roses, Foo Fighters, Mastodon, System of a Down, Queens of the Stone Age, Black Keys e até as citadas Slipknot e Avenged Sevenfold, entre outras, tem seu valor, e são ótimas bandas, com carreiras sólidas e bons discos lançados. Não entra na minha cabeça que as pessoas não possam ouvir o que quiserem na hora em que tiverem vontade. Se eu estiver a fim de ouvir Beatles, ouvirei cheio de tesão, e se na sequencia, der na telha de ouvir Slipknot, vou ouvir com a mesma intensidade. Uma coisa não anula a outra.

Além disso, há outro ponto importante nessa discussão que é a porta de entrada pro rock. É difícil acreditar que alguém comece a ouvir rock hoje em dia através das bandas dos anos sessenta e setenta, salvo exceções como em casos de influência dos pais. O mais normal é que o cara ‘se inicie’ ouvindo Linkim Park, Coldplay, Marron 5 e outras bandas que possuem destaque na grade mídia, para daí então, após algum tempo se interessarem ou não pelo estilo como um todo. Resumindo, o cara tem seus 12 anos e é apaixonado pelo Avenged Sevenfold, digamos que daqui a dez anos ele não terá o mesmo apreço pela banda, já curtindo rock clássico, com maior discernimento cultural e tudo mais. Sou o exemplo vivo disso, pois minha banda preferida quando adolescente era o Blink 182, hoje não sou tão fã da banda, já tendo maior interesse em outras vertentes do rock, com bom conhecimento do gênero.

O público de rock que tem esse comportamento de rechaçar qualquer banda que tenha maior destaque na mídia, seja pela maquiagem, pelo som ou qualquer outro motivo se mostra preconceituoso e ignorante, confirmando aquela visão deturpada que a sociedade tem de que todo roqueiro é burro, quando sabemos que é exatamente o contrário.

Ninguém é obrigado a gostar de nada e todos tem suas antipatias com relação a bandas, mas que tal ao invés de comentar nas redes sociais ou comentários em portais diversos frases do naipe de ‘banda lixo’, ‘poser’, ‘som de gay’, você não simplesmente ignora ou tenta montar um argumento menos idiota pra sustentar seu comentário.

Bandas comerciais existem, sempre existiram e sempre vão existir e podem conviver tranquilamente com o indie, o metal, o hard, o stoner, enfim, todos os estilos, basta que nós que gostamos de rock sejamos menos idiotas e promovamos o estilo e não fiquemos desdenhando de tudo, trollando sem parar na rede, ou senão ficará difícil superar a mediocridade da cultura de massa atual.

E outra, conservadorismo não combina nem um pouco com rock n’ roll.




David Oaski

3 comentários:

  1. minha banda preferida é o avenged sevenfold, porém eu também curto rock clássico como Metallica e Iron Maiden, ou seja, não sou nem um pouco conservador e concordo com tudo que você disse

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    1. O importante é não se limitar devido a preconceitos!

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  2. Concordo com tudo.
    Comento: na prática, constata-se que o chamado "rock farofa" é sempre o som dos outros; nunca aquele de que gostamos.
    Helênio
    Ou seja, melhor abolirmos essa injusta nomenclatura.
    Abraço.

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