segunda-feira, 23 de julho de 2012

OS 25 ANOS DE APPETITE FOR DESTRUCTION!




Nota: 10


No sábado, 21/07/2012, completaram-se 25 anos do lançamento de um dos maiores discos de todos os tempos, Appetite For Destruction, do Guns N’ Roses. Lançado em 1987, o disco é um clássico definitivo do rock.

Há alguns poucos álbuns na história do rock que conseguem manter o nível altíssimo em todas as faixas, com uniformidade, coisa pouco vista nos discos lançados de uns tempos pra cá, parece que os artistas se esquecem que o disco é um todo e deve ser criado dessa forma, não por canções soltas, mas um conceito geral, uma estética, uma uniformidade mesmo.
Appetite For Destruction está facilmente no mesmo pote de clássicos másters do rock, como ‘Led Zeppelin IV’, do Led Zeppelin, ‘Abbey Road’, dos Beatles, ‘Back in Black’, do AC/DC, ‘Nevermind’, do Nirvana, entre outros.

À época do lançamento do disco (anos 80), a onda do momento era a música pop, com batidas eletrônicas e uso abusivo de sintetizadores, com raras exceções (The Cure, The Cult e Smiths, por exemplo), além dos ainda não tão grandes Metallica e U2. Havia também a recém onda do hard rock ‘farofa’ vindo com muita força, encabeçado por nomes como Motley Crue, Poison, Skid Row, entre outros. O Guns vinha com alguns elementos desse movimento, porém com canções com muito mais força do que seus concorrentes; a guitarra já muito apurada de Slash, o vocal agudo, porém único de Axl Rose e, principalmente, uma banda coesa, azeitada e com a química totalmente em dia.

O disco abre com o clássico ‘Welcome to the Jungle’, um clássico. A sensacional guitarra já anuncia o que está por vir. Axl canta, com as guitarras de Slash e Izzy entrelaçadas, depois solando, com direito a um refrão forte e gritos de “You know where you are? You’re in the jungle baby, you’re gonna die...”. Foda!

Na sequência vem ‘It’s so Easy’, o primeiro single do album. A faixa é bem agressiva e Axl canta com uma entonação diferente, menos aguda. Trata-se de um hard rock rápido e muito rock n’ roll, tanto na letra quanto na música, sendo que a letra traz uma linguagem popular, xula em muitas vezes, outra característica marcante do disco.

Logo após surge a trinca, ‘Nightrain’, ‘Out Ta Get Me’ e ‘Mr. Browstone’, todas músicas pegadas, rápidas e com refrãos marcantes. Vale dizer que as músicas são parecidas, mas como foi dito, na estética, trazendo uma uniformidade e não soando iguais, pelo contrário. ‘Nightrain’ foi o quarto e último single do disco. E, dizem que ‘Mr. Browstone’ é um código para cocaína, droga que os integrantes usavam regularmente na época de gravação e anos seguintes.

Surge então o riff de guitarra, algumas batidas no prato e depois o bumbo da bateria de Steven Adler, é o início de outro clássico, ‘Paradise City’. A letra já se inicia com o refrão poderosíssimo até o apito que anuncia um petardo sonoro, com Axl cuspindo palavras, como se estivesse a ponto de meter a mão na cara de alguém. No final, a música acelera a ponto de se tornar algo próximo do metal ou hardcore. Foi um grande hit e ajudou a alavancar o sucesso do álbum.

Sem perder o ritmo, surgem ‘My Michelle’ e ‘Think About You’. A primeira uma declaração de amor às avessas, sobre uma vadia viciada e a segunda foi composta por Izzy Stradlin, sendo uma das poucas canções onde é este quem executa o solo de guitarra, a música possui um ritmo aceleradíssimo e diminui a rotação no final, suavizando.

Gostem ou não, bem ou mal, surge a faixa 9, ‘Sweet Child O’ Mine’, terceiro single e primeira canção da banda a atingir o nº 1 da Billboard. Um dos riffs mais marcantes da história do rock, executado por Slash, anuncia a canção, que conta com ótimos vocais de Axl, na minha opinião, no auge como cantor, já no primeiro disco. Além da introdução, o solo também é ótimo, com Slash já demonstrando todo seu talento, não como um músico genial, mas um cara com um feeling apurado, com timbre único, sendo um membro daquele seleto grupo dos guitarristas que ao ouvir o primeiro acorde você já sabe de quem se trata.

As duas próximas canções mantém a pegada acelerada do disco, ‘You’re Crazy’ e ‘Anything Goes’, são agressivas, sendo que a primeira talvez seja uma das músicas mais aceleradas da carreira do Guns. Vale o destaque para o refrão da segunda, quando Axl canta algo do tipo, do meu jeito ou do seu jeito, de qualquer jeito rola essa noite. Cadê essas letras no rock???

O álbum fecha com ‘Rocket Queen’, a rainha foguete, inicia com a bateria de Adler seguida por riffs incríveis de Slash e Axl entra esculachando. Apesar de não ter sido lançada como single, a música tem muito apelo e sempre foi apresentada nos shows da banda. Fala de uma das muitas amigas promíscuas dos integrantes da banda e contém gravações de Axl transando com uma mulher no meio da música, mulher essa que dizem ser namorada do baterista Steven Adler à época. Na minha opinião, é a melhor faixa do disco, fechando essa obra prima com chave de ouro.


Appetite For Destruction é uma obra prima do rock, um disco inspirado de uma banda que ainda lutava por espaço no mundo do rock e através de seu talento e do poder de suas canções dominou o mundo. São discos como esse que nunca vão fazer o estilo morrer, pois sempre haverá um garoto interessado numa forma de expressão como essa, agressiva, sexual e explícita, como manda o rock n’ roll. Pena que nos discos seguintes, já como estrelas, a banda – principalmente Axl – deixou os egos tomarem conta do sonho, não produzindo mais aquele som puro e agressivo de garotos que só queriam se divertir, ganhar algum dinheiro e pegar algumas garotas, aliás é só disso que caras precisam pra serem felizes.
O apetite pela destruição Guns é eterno e esse registro todos que apreciam boa música devem ter.





David Oaski








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