terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O "PUNK" DE BRASÍLIA


Primeiramente preciso deixar claro que adoro as bandas oriundas da capital federal Brasília. Ouvi e ouço muito Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Além de conhecer a história do embrião de duas dessas bandas, o Aborto Elétrico, banda que era composta pelos irmão que fundariam o Capital, Fê e Flávio Lemos mais Renato Russo, o carismático e controverso líder da Legião Urbana. Vale lembrar também que os integrantes dos Paralamas do Sucesso também cresceram e se conheceram na terra que abriga nossos políticos, apesar de terem formado a banda e se consolidado no Rio de Janeiro.

O fato é que sempre me incomoda a associação dessas bandas ao movimento punk. Eles não eram punks, nem no som, nem na atitude, é preciso deixar isso claro. O movimento punk surgido no final dos anos 70 na Inglaterra com o The Clash e os Sex Pistols e nos Estados Unidos com o Ramones sempre se caracterizou por ser formado por jovens de origem humilde, da classe operária britânica e norte americana, executando um som cru, direto, sem fírulas, com letras que tratavam de todos os temas, mas principalmente das mazelas da sociedade. Tudo isso na contramão do rock progressivo que reinava as paradas da época, com suas melodias complexas e canções longas.
Capital Inicial nos anos 80 - mais próximo da New Wave

O máximo que se pode dizer é que as bandas do rock de Brasília foram influenciadas pelo punk rock, assim como quase todas outras bandas surgidas desde os anos 80. As temáticas de muitas das letras das bandas brasilienses citadas realmente tinha cunho social e político, mas isso não faz deles punks.

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial é um dos que mais se refere ao movimento como punk de Brasília, porém sabe-se que ele e a maioria dos outros membros da banda tem origem de classe média alta, filhos de figurões como diplomatas, políticos e magistrados, tendo passado boa parte da infância e adolescência em outros países. Até que ponto eles realmente sofreram as mazelas da sociedade na época?

É preciso deixar claro que não quero aqui impor um debate classicista, afinal ninguém tem culpa de ter a origem que tem, tampouco podem deixar de protestar por serem de famílias abastadas, mas também é fato que eles não eram os rebeldes porra loca que pregam nas entrevistas e documentários sobre a época.

Inocentes, verdadeiro representante do punk brasileiro
Com relação às melodias nem se fala, a banda que mais se aproximava da crueza do punk era o Plebe Rude, já os outros se aproximam muito mais da new wave ou do pós punk que do punk propriamente dito.

Punk nacional de verdade era o paulista, com bandas como Ratos de Porão, Olho Seco, Cólera, Inocentes, entre outras. Essas sim têm um som sujo, veloz, cru e agressivo, com letras honestas e com integrantes em sua maioria oriundos das periferias da cidade.

A questão aqui não é gosto pessoal, particularmente até prefiro as bandas brasilienses, mas numa contextualização histórica, o punk nacional deve ser lembrado pelas bandas que realmente eram fiéis ao movimento original. Fico imaginando os caras do The Clash vendo os “punks” de Brasília, eles iriam se mijar de rir.

Do it yourself.



David Oaski


4 comentários:

  1. Caro amigo, não lembre o movimento punk de brasília com bandas como Capital Inicial... E sim como DETRITO FEDERAL; PLEBE RUDE;XXX; ABORTO ELÉTRICO; etc.

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  2. Entendo sua perspectiva. Quando penso em menino com grana querendo pagar de punk lembro logo do Supla, mas não deixo isso me fazer pensar que ser pobre seja uma premissa para ser punk, embora reconheça que te dê mais moral para falar sobre mazelas sociais.
    No entanto, vejo hoje muito jovem de classe média alta por aí com mais consciência política, participando de grupos ativistas, quando não anarquistas, virando black bloc pra cair na porrada com a policia e o escambau, enquanto infelizmente também vejo muito jovem pobre ouvindo funk ostentação e se endividando pra comprar roupas de marca e gadgets.
    Enfim, gostaria de lembrá-lo que o Clash, a pioneira banda punk e talvez a mais politizada delas, tinha sua ideologia direcionada pelo vocalista Joe Strummer, um filho de diplomatas.

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  3. escute aborto elétrico e reescreva

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