quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

TOP 5: ÁLBUNS ROCK NACIONAL ANOS 80

Como disse num post recente o rock nacional segue produzindo excelentes bandas, porém nem por isso deixo de gostar da fase tida como clássica do rock nacional, os anos 80. Na época o rock era a bola da vez, a galinha dos ovos de ouro das gravadoras, os queridinhos dos programas de auditório e presença dominante nas rádios AM e FM.

A comparação é esdrúxula, mas o rock nos anos 80 foi o que é hoje o sertanejo universitário, uma mania que se espalhou por todo o país, só que convenhamos, uma mania com muito mais conteúdo e gente inteligente envolvida. Claro que no meio dos talentos acabaram aparecendo algumas porcarias que o tempo fez questão de esquecer.

Muitas das bandas surgidas naquela época, hoje possuem status de classic rock do nosso país, algumas lidando bem com a passagem do tempo como o Capital Inicial, outras ficando pelo caminho, outras caindo no ostracismo e outras vivendo de celebrar o próprio passado ao invés de produzir e compor coisas novas.

Grandes bandas dos anos 80 temos aos montes, porém poucas conseguiram o êxito de produzir um disco inteiro bom, com composições ricas do início ao fim, formando obras enxutas, fazendo jus ao conceito de álbum, aquele punhado de canções que juntas passam a fazer mais sentido do que fariam avulsas, que retratam um momento, um conceito, uma estética do que a banda se propõs a fazer naquele trabalho.

Pensando nisso, resolvi listar meu cinco álbuns de rock nacional preferidos dos anos 80. A lista não está numa ordem de preferência, mas são os discos que vou ouvir pro resto da vida.

Lá vai:


Ira! – Vivendo E Não Aprendendo

Como falei antes, não são poucos os bons álbuns lançados nos anos 80, mas é difícil algum deles superar o segundo álbum do Ira!, banda paulista formada em 1981, que no auge contava com Nasi no vocal, Edgard Scandurra na guitarra, Ricardo Gaspa no baixo e André Jung na bateria.

Coeso, lírico e extremamente potente o disco, lançado em 1986, foi o maior êxito comercial da banda, além da manjada “Envelheço Na Cidade”, havia também a forte “Dias De Luta”, a romântica “Flores Em Você” (que foi tema de novela no horário nobre global), a belíssima “Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)” e as pouco lembradas, mas não menos ferozes “Casa De Papel”, “Vitrine Viva” e “Nas Ruas”.

O disco é urbano, cru e direto, com exceção de “Flores Em Você” e marcou época com belos arranjos e canções alinhadas no álbum mais consistente do rock nacional dos anos 80. Melodias incríveis oriundas do talento de Scandurra e toda a presença vocal de Nasi fizeram desse álbum um marco na música brasileira.


Carnaval – Barão Vermelho

Ainda se recuperando do baque da saída de Cazuza da banda em 1985, o Barão Vermelho, a melhor banda da história do rock nacional, lançava em 1988 a joia chamada “Carnaval”. Contando somente com três integrantes fixos na formação, Frejat (vocal e guitarra), Dé (baixo) e Guto Goffi (bateria), a banda adicionou às guitarras stoneanas já tradicionais percussão e fez um disco sensacional que os recolocou no primeiro time do rock nacional.

O disco conta ainda com participação de letristas do naipe de Humberto Gessinger, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos. Os destaques são a sensacional “Pense E Dance”, a feroz “Não Me Acabo” e a cadenciada “Lente”.

Rock n’ roll na essência cantado em português como pouco se viu no rock brazuca.


Dois – Legião Urbana

Por mais que “Eduardo E Monica” e “Tempo Perdido” toquem em todos os programas de flashback das rádios não há como negar que o segundo disco da Legião, lançado em 1986 é um clássico.

As famosas melodias simples calcadas no rock britânico dos Smiths e Joy Division serviam de base para Renato Russo declamar suas letras fenomenais. “Acrilic On Canvas”, “Andrea Doria”, “Metropole”, “Daniel Na Cova Dos Leões”, enfim, o disco é bom de ponta a ponta e por mais que seja clichê citar a Legião, é impossível fugir desse lugar comum.


Nem Polícia, Nem Bandido – Golpe de Estado

Uma das bandas mais subestimadas do rock nacional, o Golpe de Estado nunca desfrutou do reconhecimento e da fama de seus contemporâneos do Ira! E Titãs, por exemplo, mas fez como poucos hard rock brasileiro.

Com o ótimo Helcio Aguirra nas guitarras e o louco Catalau nos vocais, a banda lançou ótimos discos e esse mostra o grupo no auge, com destaques para as faixas “Paixão”, “Filho De Deus” e a faixa título.

A recente morte do guitarrista Helcio Aguirra trouxe de volta o nome do Golpe às manchetes de rock. Espero que com o tempo eles ganhem, mesmo que com um atraso monstruoso, o reconhecimento merecido.


Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas – Titãs

Apesar do clássico absoluto dos Titãs ser considerado o álbum anterior, de 1986, “Cabeça Dinossauro”, prefiro a linguagem e agressividade de “Jesus...”. Ainda com oito integrantes, os paulistas compuseram faixas do naipe de “Lugar Nenhum” e “Diversão”, duas das melhores da discografia da banda, além de “Corações E Mente”, “Comida” e “Mentiras”, é muita coisa boa.






E pra você, faltou alguma coisa? Discorda? Concorda? Quem sabe rola uma segunda parte do post em breve. Deixe suas dicas nos comentários...


David Oaski




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

RESENHA: ALTA FIDELIDADE - NICK HORNBY



Nota: 8,5

Alta Fidelidade (título original: “High Fidelity”) é um livro escrito por Nick Hornby lançado em 1995. Rapidamente se tornou um best seller e um clássico moderno.

Protagonizado e narrado por Rob Fleming, um britânico de trinta e cinco anos, dono de uma loja de discos e que acaba de terminar um relacionamento, dando vazão à crise da meia idade.

Rob tem um conhecimento musica privilegiado, por conviver entre discos, por coleciona-los e por ser vidrado em música pop, chegando a atribuir a esta várias vezes sua infelicidade no amor, afinal é impossível não sofrer por amor sendo bombardeado por canções que falam de perdas e desamores, como ele fala em algumas passagens do livro.

Na loja de discos, a Championship Vinil, ele trabalha com Dick e Barry, Dick é introvertido e adora ouvir coisas novas, já Barry é solitário, irônico e grosseiro na maioria das vezes. Na loja, os três passam o tempo bolando mixtapes e fazendo top 5 de diversos temas, como as cinco músicas para tocar em funeral, cinco melhores primeiras faixas de um álbum e por aí vai.

Nick Hornby - ótimo autor e roteirista
Ao terminar o seu relacionamento com Sara, Rob ao invés de lidar com maturidade com a situação, resolve listar os cinco piores términos de namoro de vida dele. Seu grande prazer ao listar as pataquadas é que Sara não está na lista, o que soa como uma vitória pra ele.

Sara terminou com Rob, pois estava se sentindo parada no tempo, além do que ela já havia perdoado uma traição do então namorado e ficado grávida no mesmo período, ao saber da traição resolveu abortar, sem consultar Rob, que sequer sabia da gravidez, ele ficou arrasado. Rob também havia pegado uma quantia significante de dinheiro emprestado com Sara e nunca havia pago. Sara então saiu da casa de Rob e foi morar um tempo com o vizinho de cima, Ian, com quem ela estava tendo um caso.

De início, Rob tenta levar numa boa, porém notando a cada dia como Sara lhe fazia falta ele resolve retomar contato e mais, resolve entrar em contato com todas as cinco ex namoradas listadas no final do relacionamento. Conversando com os antigos casos, Rob percebe que muito das suas lembranças doloridas não se valiam, pois as pessoas ou tinham se tornado desinteressantes ou reconheciam que erraram ao terminar com ele.

Pra tentar superar Sara, Rob se envolve com Marie, uma cantora americana, extremamente sexy e divertida, porém a química não prevalece no sexo e o encontro se mostra vazio, o que faz ele sentir ainda mais falta de Sara.

A situação se inverte quando o pai de Sara morre e o casal acaba se reaproximando e volta a morar junto, porém sem nenhum sentido piegas ou intenção de conto de fadas do autor, pelo contrário, ambos sentem que devem ficar juntos, um pouco por se amarem, mas mais por ser muito difícil encontrar alguém legal e com afinidades nessa idade.

Rob então passa a fazer planos de abrir um selo para lançar discos e Sara o incentiva a fazer pocket shows na sua loja e voltar a discotecar, coisa que Rob não fazia há décadas.
Rob enfim percebe que é hora de sossegar no âmbito amoroso e se mover no âmbito profissional. Finalmente Rob resolve encarar a vida adulta.


Considerações Finais

Nick Hornby conseguiu traduzir uma geração em seu romance, além de ser uma das poucas obras que aborda de forma fidedigna muitos dos mitos, anseios e inseguranças do mundo adulto masculino.

Rob (Cusack) e Barry (Jack Black) na adaptação cinematográfica de 2000
Com escrita extremamente fluída e leitura agradável, Alta Fidelidade te prende daquela forma deliciosa, vemos Rob transparecendo um cara seguro, cheio de si, quando na verdade ele está extremamente chateado com o rumo que sua vida tomou. Quantos caras você conhece em situação idêntica?

O autor revela através de Rob uma faceta pouco explorada na literatura e cinema até então, o homem de meia idade, amargurado e inseguro, que não demonstra a ninguém como se sente de verdade, construindo uma casca, guardando cada vez mais seus sentimentos em algum lugar escuro da alma.

Cerceando de forma bela a história com cultura pop, Alta Fidelidade vai além das desventuras amorosas de Rob, pois mostra um cara extremamente apaixonado por música, que ama os sábados, quando sua loja tem mais movimento e pode fazer a vontade daqueles procuram um disco especial, assim como tirar sarro daqueles que nem sabem o que estão fazendo ali. Não à toa, o livro virou um clássico instantâneo e ganhou adaptação cinematográfica nas mãos de John Cusack (que interpretou Rob) marcando uma época em que ouvir e comprar discos fazia parte da rotina da sociedade.


David Oaski


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O BRASIL NÃO VAI PASSAR VERGONHA NA COPA DO MUNDO...


Pois o Brasil já está passando vergonha desde que foi anunciado como sede no então distante ano de 2014, com direito à Lula (então presidente) e Pelé se abraçando naquela patética cena da comitiva brasileira aos prantos na cerimônia de anúncio do país sede.

Porque o Brasil passa vergonha a cada notícia de enchentes devastando cidades e levando vidas embora como se essas não tivessem nenhum valor; porque o Brasil passa vergonha cada vez que vemos o estado precário do nosso sistema de saúde público; porque o Brasil passa vergonha por ser um povo mal educado e que quer tirar vantagem de tudo, muito por causa de uma base frágil de educação oferecida a grande parte da população; porque o Brasil passa vergonha cada vez que é divulgado que o gasto para construção de um estádio dobrou, triplicou comparado ao valor estimado inicialmente.
Uma opção mais legal de logo

Tenho visto cada vez mais gente falando que o Brasil vai fazer feio como sede da Copa do Mundo, mas nem acho que o evento em si vá ser problema, talvez um defeito aqui outro ali, algum protesto mais exaltado, mas o evento em si deve rolar numa boa, afinal temos o adorado ‘jeitinho’ brasileiro para resolver tudo. O que penso é que independentemente do resultado da estrutura da Copa o país já passou muita vergonha no decorrer destes anos de preparação para o evento esportivo.

Simples assim
E não adianta falar que as obras são bancadas pelo BNDES, porque sabemos que a fonte deste é de dinheiro público e que a devolução por parte das empresas é feita de maneira bastante questionável. Não cabe também dizer que a Copa nada tem a ver com as mazelas da nossa sociedade ou você acha que com estes bilhões gastos não poderíamos fazer algumas melhorias na nossa saúde, educação, segurança, transporte público e estradas?

Será que precisamos mesmo desse advento da Copa do Mundo como desculpa para melhorarmos a infraestrutura das nossas cidades abrindo as pernas pra tudo que a FIFA e seus dirigentes ordenam? Chega a dar asco ver o prefeito do Rio falando que não há verba para educação durante as greves dos professores, enquanto do outro lado apoia com todas as forças a demolição de tudo que ver pela frente para construção de estádios modernos e suntuosos, quando a alguns quilômetros pobres morrem em macas esperando pelo atendimento do SUS.

É óbvio que todos que gostam de futebol adoram a Copa do Mundo, mas é preciso questionar a que custo vale torcer pela sua seleção? Até que ponto não estaremos estimulando toda essa roubalheira de estádios superfaturados e obras mal acabadas?

A verdade é que o Brasil, como nação, tem muitas prioridades e a Copa do Mundo não está nem próxima de ser uma delas.



David Oaski

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A NOVA GERAÇÃO DO ROCK NACIONAL - PARTE 1

Todo ano ao anunciarem os números de músicas com maiores execuções nas rádios do país a surpresa é enorme: onde estaria o rock? Salvo raras exceções, como O Rappa, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Jota Quest ou Skank é raro alguma outra banda obter espaço em rádios populares.

Mas a observação que faço desses estudos é mais objetiva, se você quer ouvir novos sons no rock nacional procure em qualquer lugar, menos nas rádios populares. Internet, rádios online, blogs e portais, esses são os caminhos para descobrir novos sons. Caso você não tenha tempo de procurar, então se contente com Gustavo Lima ou outra porcaria qualquer.

Para mostrar que o rock nacional continua produzindo diversas bandas de qualidade, resolvi listar alguns novos nomes que vem fazendo ótimos trabalhos e obtendo ótima repercussão com gravações e turnês executadas na raça, sem ajuda de governo ou patrocinadores.

Lembrei de algumas bandas e resolvi dividir o post em duas partes. Abaixo você vê a primeira leva de novas boas bandas do rock nacional:


Vespas Mandarinas

Tudo nessa banda é legal, a começar pelo nome, composto agressivo, soa bem. Formada por músicos experientes na cena nacional: Chuck Hipolitho (ex Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (ex Banzé) e André Dea (que também toca no Sugar Kane), contam ainda com o baixista Flávio Guarnieri.

A banda paulista lançou até aqui duas demos, “Sasha Grey” e “Da Doo Ron Ron” e um álbum cheio, “Animal Nacional” que de cara concorreu ao Grammy Latino. Os caras trazem as melhores influências do rock nacional, de Titãs a Skank, de Paralamas a Inocentes, eles abordam temáticas urbanas com excelentes letras e melodias trabalhadas dando ênfase às guitarras dos dois front man (Thadeu e Chuck).

É daquelas bandas que podem furar esse bloqueio e adentrar nas rádios populares. Eles parecem dispostos a isso.

Saca só a qualidade do som dos caras:



Vivendo do Ócio

Banda baiana de Salvador, fundada em 2006 e que ganhou destaque ao vencer o festival Gas Sound, que lhes deu direito de gravar o excelente álbum “Nem Sempre Tão Normal”, de 2009.

A banda surgiu com forte influência do indie rock dos contemporâneos do The Strokes, Franz Ferdinand e afins, porém no segundo lançamento “O Pensamento É Um Imã”, de 2012 abriu o leque para influencia maior de bandas gringas e do rock nacional.

Capitaneada pelo guitarrista e vocalista Jajá Cardoso a banda é uma das mais promissoras do rock atual, com ótimas letras e boas referências ainda vão nos brindar com muita música boa.

Olha a música nova deles e fale que não é tão bom quanto qualquer uma dessas bandas gringas bajuladas pela imprensa especializada:




Nevilton

Nevilton de Alencar é um ótimo guitarrista e trabalha as melodias de forma excelente no power trio em que se juntam a ele o baixista Tiago Lobão e o baterista Eder Chapolla.

Oriundo do Paraná, o cara vem recebendo cada vez mais elogios da crítica e ganhando o público com suas canções com forte apelo radiofônico e letras bastante pessoais. São dois discos lançados até aqui: “De Verdade”, de 2011 e “Sacode!”, de 2013, que está em 10 de 10 listas de melhores álbuns nacionais do ano passado e também concorreu ao Grammy Latino.

Melodias de guitarra, pop e alguns ares de MPB resumem bem o som do Nevilton. Saca só:



Supercombo

Banda novíssima oriunda de Vitória, Espírito Santo, mas consolidada em São Paulo ainda não possui nenhum álbum lançado -  o primeiro sai ainda esse mês “Amianto” e já está em pré venda no Itunes. Conta com músicos experientes na cena musical, seja como produtor ou integrante de outras bandas, todos tem rodagem e experiência para tornar esse primeiro álbum extremamente aguardado.

A música “Piloto Automático” já está tocando nas rádios jovens e o único adjetivo que consigo encontrar pra essa música é: sensacional. Um retrato da desolação das novas gerações com ótima letra e vocação pop.

Ouça e fique ansioso pelo álbum cheio:



Apanhador Só

Essa banda gaúcha surgiu em 2005 e lançou seu primeiro álbum, homônimo, em 2010 e chamou atenção pela utilização de instrumentos pouco convencionais, tanto no palco quanto nas apresentações ao vivo, incluindo gaiolas, talheres e até um pneu de bicicleta na sonoridade da banda.

Porém foi com o segundo álbum que os caras alcançaram o reconhecimento nacional, lançado no ano passado, “Antes Que Tu Conte Outra” foi eleito através de votação em alguns sites, como no renomado Scream & Yell, por exemplo, como melhor álbum nacional de 2013 e não é exagero.

Os caras aprofundaram a identidade sonora, com letras maduras e se distanciaram das constantes comparações (descabidas por sinal) com Los Hermanos e Pato Fú.
“Mordido” e “Despirocar” retratam a situação do jovem brasileiro como ninguém ainda havia conseguido traduzir em forma de canção. Movido pelos protestos ocorridos ao longo do país a banda foi a que melhor conseguiu retratar esse momento e certamente será reconhecida no futuro por isso.

Despiroque:







Em breve publicarei a segunda parte, mas se você tem alguma dica, manda aí nos comentários, pois é sempre bom compartilhar o que está rolando de música realmente boa no país. Vamos mostrar que existe muito mais do que essas listas de fim de ano apontam.

O rock tá aí e sempre vai estar, pra quem quiser!


David Oaski








segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

UTOPIA


É preciso acreditar. Em Deus, em Buda, em Alá, em Gandhi, em destino, em energia ou em qualquer outra forma que nos guie e dê direção às nossas vidas. Se você não acredita em nada disso, acredite nos seus sonhos e faça de tudo que estiver ao seu alcance para torna-los realidade.

Acredite na sua utopia, de que o mundo vai melhorar, de que as pessoas serão mais interessantes, de que o país vai de fato crescer.

Tenha sonhos. Não deixe o tempo esmagar o que você idealizou pra si, tampouco permita que alguém fale que você não é capaz. A frase é clichê, mas faz todo sentido: Você não sabe a força que tem!

O mundo está aí, à sua disposição, você pode transformar as coisas, pode correr atrás, pode brilhar. E mesmo que nada aconteça, morra tentando. Com a certeza de que não passou por essas bandas em vão, que deu o melhor que podia e foi sincero consigo mesmo.

O medo e a insegurança tentam nos consumir diariamente e se a gente deixar, eles de fato consomem.

Sonhe!!! Não deixe o pessimismo e o marasmo consumirem seu espírito. Se alimente de luz e creia que dias melhores virão.

Pare e pense se você está realmente dando valor ao que importa de verdade...



David Oaski

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

CAI ÁGUA, CAI BARRACO



Esse é o título de uma música da banda carioca Biquini Cavadão, lançada há 23 anos, em 1991, e possui o seguinte trecho:

“Cai água, cai barraco / Desenterra todo mundo / Cai água, cai montanha e enterra quem morreu / É sempre assim todo verão / O tempo fecha, inunda tudo / É sempre assim todo verão / Um dia acaba o mundo todo...”
Ano após ano, a história se repete
A letra vai além, é uma crítica social, à polícia e ao sistema de uma forma geral, mas esse trecho em questão ainda soa bastante atual. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Vale do Ribeira, só muda o lugar, no verão as manchetes são as mesmas: enchentes alagam cidades que declaram estado de calamidade, pessoas morrem soterradas, barrancos caem nas estradas e por aí vai.
O mais absurdo é que parece que esse tipo de noticiário virou rotina, já que todo ano a história se repete. Fico pensando quando uma boa alma finalmente vai sentar, juntar uma equipe de especialistas e estudar soluções para resolver esses problemas. Afinal, a chuva vai vir de qualquer maneira e da forma que temos tratados nosso ecossistema só deve piorar no decorrer dos anos.

Biquini Cavadão
O que me causa mais revolta e até certo asco é ver os valores gastos com projetos e obras para a Copa do Mundo, realmente é de sentir vergonha de fazer parte dessa espécie que se diz sapiens. É impossível não imaginar que com essas quantias estratosféricas não seria possível ao menos minimizar os danos das enchentes.

Um país que já não oferece segurança, educação e saúde não pode mais ficar se gabando com essa fantasia de 6ª economia do mundo, isso é pra gringo ver, cada vez mais as mazelas da sociedade vão ganhando luz, vide o bizarro “rolezinho” e as tragédias nos presídios no Maranhão.

Afinal, o que é prioridade? Fazer uma Copa do Mundo linda e ficar bem visto lá fora, ou resolver os problemas que assolam nossa população a décadas?

Como diz outro trecho de música do Biquini: “Aqui embaixo as leis são diferentes”.



David Oaski

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

POR UM FUTEBOL COM MAIS "PAULO ANDRÉS"


Paulo André é zagueiro do Corinthians e vem sendo o principal porta-voz do movimento Bom Senso Futebol Clube, que pra quem não sabe trata-se de uma união que já abrange mais de 1.000 jogadores de futebol brasileiros que atuam nas séries A, B, C e D, além de alguns jogadores que estão no exterior atualmente e alguns técnicos.

O Bom Senso reivindica algumas melhorias no futebol brasileiro e nas condições de trabalhos dos próprios jogadores, visando a melhoria da qualidade do futebol apresentado em campo. As principais reivindicações são: 30 dias de férias por ano, período maior para pré temporada, máximo de 7 jogos no mês, adoção do fair play financeiro e que atletas, treinadores e executivos dos clubes façam parte do conselho técnico das competições e entidades .

O movimento vem fazendo reuniões constantemente com a CBF, porém sem ter recebido muita atenção, os principais representantes do Bom Senso: Alex (Coritiba), Paulo André (Corinthians), Juninho Pernambucano (Vasco) e Rogério Ceni (São Paulo) já organizaram alguns protestos pacíficos antes de jogos do Campeonato Brasileiro do ano passado, como no jogo entre Flamengo e São Paulo, em que todos os jogadores ficaram batendo bola durante alguns segundos após o apito inicial do árbitro. E em outros tantos jogos os jogadores ficaram sentados no gramado antes do início do jogo.

Logo do movimento
Numa coletiva no Centro de Treinamento do Corinthians nessa semana, Paulo André voltou a ser questionado sobre o movimento Bom Senso e se os jogadores trabalhavam com a hipótese de greve, a resposta de Paulo André foi clara: “Caso a CBF continue com esse descaso, é mais do que possível”.

Não é de surpreender que a CBF não tenha muito interesse em dialogar com os representantes do Bom Senso, afinal a instituição está a anos engessada por meio de velhos corruptos que manipulam como querem o dinheiro oriundo da seleção brasileira e das federações, em relações escabrosas com dirigentes, patrocinadores e afins. O atual presidente José Maria Marin tem no seu currículo nada menos do que ter apoiado a ditadura no Brasil e este veio em substituição ao não menos podre Ricardo Teixeira. Vendo todo esse esgoto na federação que toma conta do nosso futebol chega a ser difícil ter alguma simpatia pela nossa seleção.

A parte todo a boa causa que move o Bom Senso e a podridão da CBF, me chama a atenção o nível intelectual dos caras que estão encabeçando o movimento, todos com nível extremamente acima da média do jogador de futebol brasileiro, estereotipado (muitas vezes de forma merecida) como o malandro, pagodeiro, com infância pobre e burro. Assistindo ao Bola da Vez, ótimo programa de entrevistas da ESPN Brasil, com Alex e Paulo André (em programas separados) é possível notar como esses caras sabem o que querem e se expressam de forma fluída, conversando e debatendo de igual pra igual com qualquer entrevistador.

Sinto muita falta desses jogadores mais cultos no futebol brasileiro. No passado, quando olhamos, por exemplo, para seleção brasileira da Copa do Mundo de 1982 vemos caras como Sócrates, Falcão, Zico e Junior, todos inteligentes e sabiam se expressar, basta ver as entrevistas da época.

Os cabeças: Juninho, Seedorf, Dida e Paulo André
Olhando para nova geração de jogadores brasileiros só vemos moleques que ouvem sertanejo universitário e fazem dancinhas patéticas pra comemorar gols. Quando dão entrevistas sempre estão rodeados dos “parças”, jogando vídeo game ou ao lado de um pagodeiro falando alguma besteira.

Não quero soar preconceituoso, mas faz falta no mundo do futebol esses caras que tem opinião e personalidade suficiente para sair do lugar comum, responder as perguntas de forma firme e mostrar que tem algo a dizer, pois vale lembrar que o jogador de futebol mesmo vivendo numa bolha cercada de puxa sacos e ganhando milhões de dólares faz parte da mesma sociedade que todos nós.

É óbvio que o futebol precisa do Neymar, do Ronaldinho Gaúcho, do Cristiano Ronaldo, caras que além de serem jogadores sensacionais, são carismáticos e vendem muito bem sua imagem, mas também considero fundamental termos os “Paulo Andrés”, Alex, Xavi Hernandez e outros.

Que as novas gerações se inspirem na habilidade do Neymar e no intelecto do Paulo André para daqui uns anos termos um futebol mais consciente e organizado, pois com menos alienação os jogadores tem o poder de gerar mudanças radicais na CBF, para que possamos pensar no futuro em termos um campeonato entre os melhores do mundo.



David Oaski