Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de maio de 2014

TV REVOLTA


Você se acha esperto não é mesmo? É um mal do ser humano, individualista que é, se achar mais esperto que os outros. Porém uma das coisas mais patéticas que se vê nesses tempos de Facebook são os otários metidos a espertos.

Cada hora é uma onda que esses manés aderem como sendo uma baita campanha ou uma medida revolucionária. São inúmeras babaquices, entre elas redução da maioridade penal, apoio a justiça com as próprias mãos e grupos de extermínio, pena de morte e o principal, falar mal do PT e da Dilma.

Essa moda vem se alastrando ferozmente com páginas como TV Revolta e afins. São todos temas polêmicos, porém pertinentes e cuja discussão é necessária e extremamente saudável para formação de um povo mais culto. No entanto, tem muito alienado dando uma de sabichão por aí e isso assusta, e muito.

Simplesmente compartilhar um post e propagar uma ideia sem pensar ou analisar o tema se mostra muito prejudicial à sociedade, pois as pessoas passam a acreditar cegamente em coisas que são discutíveis ou não passam de boatos, como vimos no caso extremo da moça espancada até a morte na minha cidade natal, Guarujá.

É muita burrice ser a favor de redução de maioridade penal, pena de morte e justiça com as próprias mãos, pois sabemos que temos um Estado omisso governado por gente corrupta que se investisse minimamente na educação desse país poderíamos ter um povo com nível de discernimento maior e aí sim chegar à discussão desses temas.

Quanto a falar mal do PT e da Dilma então é mais moda que o “Lepo Lepo”. Ok, o governo do PT no país vai completar 12 anos, após 8 dos tucanos do PSDB e tivemos boas ações dos dois governos. O PSDB lançou o plano Real que retomou a estabilidade do país num momento complicado; já o PT melhorou a economia, reduziu o desemprego e criou ações que ajudam o povo, passando por uma crise econômica mundial sem grandes sustos.

Antes que você tire conclusões precipitadas, não sou petista, tampouco tucano, mas acho que o problema do PT está longe de ser o Bolsa Família ou outros subsídios ao povo. O projeto é ótimo, agora se tem gente que se escora nessa ação como uma muleta é outra história, que se criem mecanismos de fiscalização eficazes. O problema real do PT foi não conseguir oferecer saúde, educação e segurança dignos à população, se apoiando nesse papo de oitava economia mundial como desafogo pra tudo.

Já o PSDB eu não compactuo ideologicamente, aqueles engomadinhos que adoram executivos, privatizações e playboys não me dizem absolutamente nada.

A grande questão é que já se vão duas décadas de tucanos e petistas se revezando no poder, de modo que essa alternância breca a evolução. É preciso buscar uma nova legenda, pesquisar outros candidatos, analisar seus históricos e seus projetos, para aí sim ter um voto consciente e saber que você fez o melhor que podia com o poder de cidadão que tem em mãos.

Antes de reproduzir velhos conceitos como um gravador velho, procure formular uma opinião própria. Se descontamine de si próprio.



David Oaski

terça-feira, 25 de março de 2014

PASSEIO (QUASE) NORMAL


Meia hora pra achar uma vaga no estacionamento. Gente saindo pelo ladrão, ao ponto de você não ouvir o que a pessoa ao seu lado fala. Calor, muito calor.

Adultos, crianças, carrinhos de bebê, cadeirantes e o que mais for possível estão presentes.
A cada loja que você entra é um calvário, atendentes mal humorados, pequenos espaços abarrotados, fila no provador e fila no caixa.

Se desejar comer algo, você terá que ficar meia hora com a bandeja e sua comida esfriando enquanto espera desocupar um lugar. Ou ainda, você pode quase sentar no colo de alguém e guardar lugar, enquanto seu acompanhante vai tirar o pedido (que demora aproximadamente meia hora).

Você paga em média R$ 10,00 num estacionamento de merda a céu aberto, onde qualquer zé mané pode bater no seu carro e sair voado.

Tudo isso pra gastar uma parte dos seus vencimentos com bobagens que você não precisa.
É realmente maravilhoso um passeio no shopping center.


David Oaski




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O BRASIL NÃO VAI PASSAR VERGONHA NA COPA DO MUNDO...


Pois o Brasil já está passando vergonha desde que foi anunciado como sede no então distante ano de 2014, com direito à Lula (então presidente) e Pelé se abraçando naquela patética cena da comitiva brasileira aos prantos na cerimônia de anúncio do país sede.

Porque o Brasil passa vergonha a cada notícia de enchentes devastando cidades e levando vidas embora como se essas não tivessem nenhum valor; porque o Brasil passa vergonha cada vez que vemos o estado precário do nosso sistema de saúde público; porque o Brasil passa vergonha por ser um povo mal educado e que quer tirar vantagem de tudo, muito por causa de uma base frágil de educação oferecida a grande parte da população; porque o Brasil passa vergonha cada vez que é divulgado que o gasto para construção de um estádio dobrou, triplicou comparado ao valor estimado inicialmente.
Uma opção mais legal de logo

Tenho visto cada vez mais gente falando que o Brasil vai fazer feio como sede da Copa do Mundo, mas nem acho que o evento em si vá ser problema, talvez um defeito aqui outro ali, algum protesto mais exaltado, mas o evento em si deve rolar numa boa, afinal temos o adorado ‘jeitinho’ brasileiro para resolver tudo. O que penso é que independentemente do resultado da estrutura da Copa o país já passou muita vergonha no decorrer destes anos de preparação para o evento esportivo.

Simples assim
E não adianta falar que as obras são bancadas pelo BNDES, porque sabemos que a fonte deste é de dinheiro público e que a devolução por parte das empresas é feita de maneira bastante questionável. Não cabe também dizer que a Copa nada tem a ver com as mazelas da nossa sociedade ou você acha que com estes bilhões gastos não poderíamos fazer algumas melhorias na nossa saúde, educação, segurança, transporte público e estradas?

Será que precisamos mesmo desse advento da Copa do Mundo como desculpa para melhorarmos a infraestrutura das nossas cidades abrindo as pernas pra tudo que a FIFA e seus dirigentes ordenam? Chega a dar asco ver o prefeito do Rio falando que não há verba para educação durante as greves dos professores, enquanto do outro lado apoia com todas as forças a demolição de tudo que ver pela frente para construção de estádios modernos e suntuosos, quando a alguns quilômetros pobres morrem em macas esperando pelo atendimento do SUS.

É óbvio que todos que gostam de futebol adoram a Copa do Mundo, mas é preciso questionar a que custo vale torcer pela sua seleção? Até que ponto não estaremos estimulando toda essa roubalheira de estádios superfaturados e obras mal acabadas?

A verdade é que o Brasil, como nação, tem muitas prioridades e a Copa do Mundo não está nem próxima de ser uma delas.



David Oaski

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TUDO ERA MAIS LEGAL


Chame de memória afetiva, de saudosismo, de apego ao passado ou até mesmo ranzinza, mas se compararmos o mundo atual ao de 15, 20 anos atrás, veremos que tudo era mais legal.

Não sou nenhum ancião, nasci em 1988, tendo vivido a adolescência do final dos anos 90 ao começo dos anos 2000, mas lembro o suficiente e leio o suficiente sobre a época para saber que tudo está mais chato, entediante e efêmero.

Até a disseminação dos computadores e da Internet no começo dos anos 2000, o comportamento humano era totalmente diferente e a história ainda não teve distanciamento suficiente para notarmos o quão drásticas são as mudanças. Basta analisarmos como as pessoas ouviam músicas, compartilhavam informações, assistiam filmes e, principalmente, interagiam entre si que veremos o quanto são substanciais as alterações nos comportamentos dos indivíduos nessa nova sociedade em que vivemos.

Até duas décadas atrás o único jeito de ouvir um disco de um artista que você admirasse era comprando o LP ou K7, ou ainda tentando caçar um ou outro som na rádio e gravá-lo. Além disso, as pessoas paravam para ouvir música, esse era o programa principal, chegando a reunir galeras em torno de uma audição. Hoje em dia, ouvir um disco é uma atitude totalmente banal, executada enquanto se está em redes sociais ou na academia ou no serviço, mas nunca realmente prestando atenção na arte que invade seus ouvidos. Toda essa trivialidade faz com que cada vez mais artistas de qualidade duvidosa ganhem status de astros, sem contar o fato de que a qualidade dos arquivos comprimidos em MP3 é pra lá de questionável, tendo na maioria das vezes perca notável na qualidade da reprodução da música.

Diante da facilidade de enviar um e-mail, seja pelo computador ou pelo celular, muitos se esquecem de que a única forma de se comunicar com parentes distantes era através de caras ligações interurbanas ou cartas. O hábito de escrever cartas era dos mais prazerosos que existiam e a ansiedade de aguardar a resposta também valia a pena. Tudo isso longe da frieza proporcionada pelos correios eletrônicos.

Outro exemplo claro é a forma como as pessoas assistem filmes hoje em dia, mal e porcamente através de downloads de péssima qualidade, por streaming online travando a cada dois segundos e comprando de baciada de ambulantes em que os DVDs mal leem os discos. Até algum tempo atrás para ver um bom filme, as pessoas alimentavam o habito de ir ao cinema (que ainda existe, é claro) ou iam às locadoras, rodear os corredores, ler as capinhas, entrar na sessão de pornô. Toda essa porcaria pirata e a acomodação dos seus donos acabou com o mercado de locadoras.

Tudo isso é motivo de saudade, mas o principal definitivamente é a forma como as pessoas interagem hoje em dia. Cada vez mais distantes e frias, priorizando o contato via Internet ao cara a cara, com preocupação em tirar fotos o tempo todo para mostrar aos amigos algo que nem está sentindo tanto prazer em fazer, por pura osmose. Nas gerações passadas, os casais (quando saudáveis) chegavam em casa à noite e conversavam sobre seus dias, os adolescentes formavam rodinhas em condomínios e na rua, além de brincar o dia todo nesses mesmos locais. As pessoas compartilhavam histórias olhando nos olhos um do outro, isso não tem Internet que pague.

É claro que não sou louco nem cego de não reconhecer os benefícios da Internet, que diminuiu fronteiras, integrou o mundo e facilitou infinitamente o acesso à informação, porém mesmo com toda essa facilidade as pessoas cada vez mais adotam um comportamento alienado, com pouco ou nenhum sistema de filtragem de informação, de gostos e atitudes.

O avanço mais considerável que o Brasil teve nos anos recentes foi no âmbito econômico, de forma que o cidadão médio e até de baixa renda tem maior poderio econômico, mas isso também trouxe uma onda de consumismo e endividamento, além do que não trouxe consigo avanços em outras áreas de suma importância do país, como saúde, segurança e educação.

O fato é que vemos cada vez menos artistas criativos, pois os poucos que existem sobrevivem em pequenos nichos, e cada vez mais gente se sentindo sufocada e angustiada num mundo cada vez mais esmagado pela tecnologia que oprime qualquer um que saia da linha de mediocridade que o sistema impõe como certo.

As relações humanas ficaram pra trás, estamos todos virando robôs.


David Oaski





quarta-feira, 23 de outubro de 2013

OS DOIS LADOS DO PROCURE SABER


Tudo começou quando um grupo de celebrados artistas da MPB, tais como Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, anunciou que estava formando um grupo intitulado Procure Saber, em que eles discutiriam entre outras coisas, a proibição de publicação de biografias sem autorização prévia do biografado. Ou seja, qualquer um que resolva relatar através de livro a vida de um indivíduo terá que obter o aval do mesmo para publicar a obra.

De imediato, a mídia através dos jornalistas, colunistas e blogueiros se manifestou totalmente contra a ação dos artistas, alegando se tratar de uma ação contra o direito à liberdade de expressão. De bate pronto, através de Paula Lavigne, empresária que gere a carreira de diversos artistas brasileiros, inclusive seu ex-marido Caetano Veloso, o movimento rebateu afirmando que antes da liberdade de expressão está o direito à privacidade, daí se sucede um debate onde não há meio termo, ou se é radicalmente contra os artistas ou contra os biógrafos.

Paula Lavigne - testa de ferro do movimento
É realmente surpreendente ver gente do naipe de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que sentiram na pele os efeitos da ditadura apoiarem uma causa que remete à censura, porém consigo entender o lado dos artistas quando me coloco no lugar deles. Creio que ninguém em sã consciência gostaria que fosse publicada uma biografia sua em que diversos de seus podres do passado são contados sem dó nem piedade. Além disso, não são poucos os casos em que maus profissionais do jornalismo / literatura se utilizam de boatos, fofocas e mentiras como fonte de informação sem nenhum tipo de checagem ou postura profissional.

Os jornalistas e biógrafos rebatem dizendo que uma iniciativa do tipo desta apoiada pelo Procure Saber é muito perigosa, pois pode gerar um mercado editorial repleto de biografias ‘chapa branca’, sem nenhum compromisso com a verdade de fato, mas sim em agradar o biografado. Além do que seria impossível publicar biografias de criminosos, políticos ou malfeitores em geral, já que, se vivos não autorizariam ter seus crimes expostos e, se mortos, dificilmente teriam os direitos liberados pela família.

Vejo argumentos toscos dos dois lados da discussão, como por exemplo, quando Djavan cita numa coluna para um grande jornal que os biógrafos fazem fortuna com os livros. Onde Djavan pensa que está? Esqueceu que no Brasil a leitura é um hábito escasso. Além do mais o mesmo cantor se atrapalha na coluna ao dizer que para o biografado seria necessário haver uma remuneração, ou seja, não basta o autor ganhar uma miséria pela venda dos livros ainda tem que dividir os lucros com o biografado que não colaborou em nada com a pesquisa e publicação do livro. Absurdo.

Mário Magalhães - biógrafo de Marighella
Vi também jornalistas misturando as coisas, atacando a figura pessoal dos artistas e mesmo suas carreiras. O movimento é uma coisa, os artistas são outra. Alguns jornalistas dizem que quando se é uma figura pública não se pode exigir direito à privacidade de sua história. Será que não? Precisamos lembrar que por trás da figura pública há um individuo como qualquer outro. Até porque uma publicação caluniosa pode sim ser processada, mas sabe-se que nossa justiça é morosa e uma vez que o livro vai pras prateleiras é difícil reparar o estrago.

É realmente complexo achar um meio termo nessa discussão, por isso acho o debate saudável, li um relato do jornalista Mário Magalhães, blogueiros do Uol e escritor da biografia de Carlos Marighella, em que ele descreve detalhadamente os pormenores e perrengues para se escrever uma biografia no Brasil e realmente é uma tarefa árdua, pra poucos. Com mais empecilhos, realmente se tornará cada vez mais difícil bons escritores se interessarem em fazer uma biografia de um personagem marcante da nossa história, seja no âmbito musical, da literatura, do cinema, do crime ou do cotidiano de um modo geral.

Creio que a limitação ao crivo do biografado como regra geral não seja a solução para evitar calúnia e difamações, mas sim métodos rápidos e eficazes impostos pela justiça como punição a escritores mal intencionados.

Já basta a ignorância em que vivemos, não precisamos da volta da censura pra dizer o que devemos ou não ler e assistir.


David Oaski



terça-feira, 20 de agosto de 2013

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE BURRICE


Senhoras e senhores, bem vindos à fábrica de burrice, queiram me acompanhar neste tour em que mostraremos todas as etapas e métodos para produção de uma nação de imbecis.

Aqui à esquerda podemos ver a produção da linha de babacas, onde todos ficam enjaulados, assistindo videoclipes de sertanejo universitário e pagode o dia todo, buscando cantarolar junto os versos ininteligíveis, assim como fazendo as coreografias bizarras.

À direita, vemos a produção de otários, em que as pessoas discutem sobre temas variados e desinteressantes, como novelas, musculação e fofocas alheias diversas.

Mais à frente, vemos os imbecis, aqueles que até têm um grau de instrução um pouco maior, mas sua arrogância é proporcional. Como podemos ver, eles estão envolvidos em discussões sem fim e sequer ouvem o que os outros têm a dizer, já que se consideram os donos da verdade.

Por final, notamos nosso principal produto, o brasileiro médio. Esse é o cidadão comum do nosso país, que se acha mais esperto que todos, que pratica diversos atos de corrupção, sob a alcunha do ‘jeitinho brasileiro’. Faz gato da tv a cabo, passa no sinal vermelho, suborna o guarda de trânsito, mas reclama dos políticos e magistrados que agem da mesma forma. Não gostam de ler, só se preocupam com suas próprias vidas, que se resumem à vadiagem, cerveja, futebol e carnaval.

Pois bem senhores, é dessa forma que colaboramos para que o país não avance, produzindo a maior parte dos burros e ignorantes do nosso país. É interessante para os governantes, pois uma nação que não se importa com as mazelas da sociedade é mais fácil de ser domada.

Nossa fábrica é próspera e a produção evolui anualmente.



David Oaski

terça-feira, 18 de junho de 2013

17/06/2013 - UM DIA PARA A HISTÓRIA



A pouco mais de um ano fiz um post chamado “Enquanto Isso Em Brasília” (http://rockideologia.blogspot.com.br/2012/06/enquanto-isso-em-brasilia.html), em que contava de forma totalmente utópica uma história de revolução, em que o povo, cansado das mazelas do sistema, invadia o congresso e tomava o poder.

Ontem aconteceu algo semelhante, que eu não imaginava ser possível frente a tanta passividade e omissão de tantos anos da sociedade brasileira. De forma inédita na minha geração, a massa foi à rua protestar, contra as mais diversas adversidades encontradas no dia-a-dia e o mais importante, exercer seu poder de cidadão, lutando por seus direitos.

Tudo começou na semana passada, quando os estudantes de São Paulo foram às ruas protestar contra o aumento da tarifa de ônibus em R$ 0,20. A reação mais comum dos acomodados foi a de sempre ao ver qualquer manifestação de rua: “Não vai adiantar nada”, e seguem reproduzindo isso como velhos rabugentos.

Esses protestos desencadearam manifestações ao redor de todo país pelas mais diversas causas, desde tarifa de transporte público, segurança, saúde, educação e principalmente a realização da Copa do Mundo no Brasil, sendo que temos inúmeras outras prioridades a frente de um evento como esse.

Das grandes capitais às pequenas cidades do interior, o povo foi às ruas, com faixas, cartazes e coração em mãos em busca de um país mais digno de se viver. Ao que parece, deu a cota, a população cansou do descaso dos nossos governantes diante de problemas que assolam a nação ad eternum.

É curioso notar como grande parte da mobilização dos protestos foi feito na Internet através das redes sociais. Minha geração que vem se caracterizando pela alienação e individualismo parece que finalmente acordou e se realmente estiver disposta a mudar os rumos do nosso país, tem tudo pra conseguir, pois com a globalização e tecnologia, temos o mundo em nossas mãos.

Que a garotada finalmente queira mais que Tchu Tcha e brigue por um Brasil melhor.

Depois de muito tempo posso dizer que tenho orgulho de ser brasileiro!



David Oaski



quinta-feira, 23 de maio de 2013

DÚVIDA ETERNA



A ideia de vida eterna persegue o ser humano desde seus primórdios, pois assim como a crença em divindades, os povos e religiões mantém sua fé característica no que diz respeito ao assunto.

Por um lado é tentador pensar em viver para todo o sempre, com todo tempo do mundo para se fazer o que quisesse, sem qualquer receio. Além disso, não haveria mais porque alimentar medos e anseios e se perderia menos tempo com trabalhos cansativos e futilidades.

No entanto quando se analisa friamente a questão é impossível não pensar em como seria duro ver todos seus amigos e entes queridos partirem e ser tomado pela dor da solidão.

Pode-se dizer também que a vida eterna traria uma certa empáfia aos seus contemplados, já que tendo a dádiva do tempo em mãos, o individuo poderia se corromper diante de tal poder.

Atualmente ainda existem religiões que acreditam que depois das pessoas morrerem vão para o paraíso e são felizes para sempre, porém é curioso notar que muitas dessas, doutrinam seus fiéis cultivando uma espécie de troca de interesses, ou seja, pratique o bem e seja salvo, não seria melhor fazer o bem simplesmente porque é o certo?

Se existe ou não vida eterna é impossível saber, mas são essas dúvidas que alimentam a humanidade e a faz evoluir.


David Oaski

segunda-feira, 13 de maio de 2013

DISPOSIÇÃO



Tic, tac, tic, tac...Carlos está transando com sua namorada Mara, seu coração está acelerado, ele está preste a explodir em prazer. O tempo voa.

Um flash, um estalo.

Carlos está no seu trabalho. Tic...Tac...Tic...Tac, o relógio teima em não andar, o tempo passa lento. Lhe surge a reflexão de como o tempo passa devagar quando estamos fazendo algo que detestamos e passa mais do que veloz quando fazemos algo que gostamos.

Ele se questiona se tem feito coisas divertidas o suficiente, se podia se divertir mais, mas se conforma que a vida adulta é realmente chata a maior parte do tempo e o máximo que se pode fazer é lutar para que hajam momentos que façam valer todo o marasmo e morgação do dia-a-dia.

Carlos não é um junkie sedentário, mas também não deixa de se divertir. Gosta de beber e come bem quando pode e sempre tem duas ou três gatas na manga pra saciar seus desejos jovens e rebeldes do auge dos seus 25 anos.

Seu chefe é um cuzão e Carlos nunca teve um trampo do qual gostasse, mas ele se conforma e não fica ressaltando isso o tempo todo, vai a luta e faz o que tem que ser feito. Ao invés de ficar reclamando do destino ou se fazendo de vítima das circunstâncias ele prefere estudar e tomar atitudes que façam sua vida mudar.

Carlos é um cara legal. Tem anseios, medos, dúvidas, mas sabe se divertir, apreciar a família, amigos e o principal, tem discernimento e não sai igual um papagaio reproduzindo as crônicas que disseram que eram do Arnaldo Jabor numa rede social.

Se toda sua geração fosse como ele, poderíamos ter muito mais fé no futuro.



David Oaski

quarta-feira, 8 de maio de 2013

NÃO FIQUE DOENTE



É comum ao abrir o noticiário e ver diversas matérias sobre como o Brasil vem evoluindo economicamente e já é uma das nações mais fortes do mundo, porém é curioso notar que não se vê essa força refletida em pilares da sociedade, como é o caso da saúde que se encontra completamente sucateada, com estrutura defasada e condições precárias incapazes de fornecer assistência digna ao cidadão.

Essa mesma economia emergente que ganha destaque cada vez maior na mídia internacional não consegue suprir as necessidades de saúde da população. Sabe-se que ao ficar doente independente dos sintomas, a pessoa fica mais frágil, muitas vezes não só fisicamente, mas também psicologicamente, como nos casos de enfermidades mais graves. Dessa forma, diante de tantas adversidades o quadro clínico do paciente tende a se agravar ainda mais.

Enumerando os problemas do sistema de saúde público no Brasil, nota-se o quanto o país está atrasado em relação aos países do dito primeiro mundo, que sequer tem planos de saúde, de tão eficiente que é o atendimento aos enfermos.

Portanto, é preciso que os milhões investidos em saúde anualmente pelo governo federal se transformem em melhorias consideráveis na estrutura de saúde, indústria farmacêutica e afins. Caso contrário, pague um bom plano de saúde ou reze para não ficar doente.



David Oaski

sexta-feira, 3 de maio de 2013

EVACUAÇÃO / REVIRAVOLTA



Evacuação

Hora de evacuar os maus sentimentos já que nosso tempo por aqui é curto
Agora vamos pensar em ser felizes
Limar aqueles que não fazem bem das nossas vidas até que se isolem completamente e tenham que viver entre seus pares
Não se irritar com absolutamente nada supérfluo e não se incomodar com o sucesso alheio já que sabe que o outro merece tanto quanto você
Sentir a cada dia na hora de dormir a sensação de dever cumprido
Saber que a cada minuto sua existência está sendo plena e que no fim você olhará pra trás e tudo terá valido a pena
Cada sorriso dado e retribuído, cada belo gesto compartilhado e cada boa ação que foi feita foi realmente o gesto correto

Reviravolta

Toda essa angústia que te corrói
Faz com que você não consiga mais pensar direito, tudo parece errado aos seus olhos
Nada mais te agrada
Quer socar a todos, mas não soca
Esse aperto que se estacionou no seu peito te traz medo e um certo prazer que hedonista nenhum botaria defeito
Hora de transformar tudo isso em combustível
Por você e mais ninguém!
Lutar pela sua vida e por seus ideais
Se tiver parceiros na luta, ótimo! Senão lute sozinho, como homem!
Vá!



David Oaski

terça-feira, 30 de abril de 2013

É MUITO MAIS FÁCIL SER O FILHO DA PUTA



É duro ser honesto. Na vida social, profissional, relacionamentos afetivos e familiares, enfim, a sombra da maldade e o instinto corrupto estão sempre a nos rodear com seus melindros e facilidades.

É sempre mais fácil ser um filho da puta, ainda mais num país em que a corrupção é diariamente estimulada através do jeitinho brasileiro. Somos pressionados, maltratados e feitos de otários o tempo todo, então qual o motivo pra se manter fiel aos seus princípios (se é que vocês os têm)? O motivo é única e simplesmente ser correto, ter consciência do que é certo no ecossistema em que você vive, sabendo que aquilo afetará ou não outras pessoas hoje ou no futuro, sempre lembrando que tudo que você faz um dia volta pra você, não há como fugir, é a lei do eterno retorno.

Alguns apelam para motivos religiosos dizendo que Deus vai castigar, mas pouco se fala sobre a corrupção do dia-a-dia, do passar no semáforo vermelho, do suborno ao guarda de trânsito ou do ‘gato’ na tv a cabo. Isso ninguém liga, já faz parte do total, afinal todo mundo faz, que mal existe em fazer também. Já falei aqui, mas não custa lembrar, esse pensamento nos faz um mal tremendo, quase como um câncer na nossa sociedade, que acaba virando esse ciclo de falsos espertos e arrogantes.

O mais complicado é convencer a população de que numa sociedade tão competitiva você não ganha nada em troca de ser honesto, pelo contrário, muitas vezes você perde, a única coisa que você recebe em troca é sua honra, mas essa recompensa anda muito desvalorizada.

Enfim, o que me mantém fiel aos meus princípios até agora é acreditar que atitudes certas me trarão bons resultados, pois sei que o mundo vai além de bens materiais e dinheiro. Além disso, não quero nem de longe me parecer com um político, que já nem sabe mais quando está falando a verdade ou mentindo.

Stay Strong. Go on.



David Oaski  

quarta-feira, 17 de abril de 2013

VIDA REAL



Cada um leva sua vida como quiser. É um direito. Mas certas coisas me incomodam, como esses manés que levam a vida como robôs, totalmente alienados e se acham donos da razão e dão pitacos em todos assuntos que estão ao alcance da sua ignorância.

Se você já passou dos 25 anos, nunca leu um livro inteiro, ouve música e vê filmes por osmose e se acha super inteligente por ter frequentado a faculdade e ter um emprego médio, é justamente a você que eu me direciono.

Não estou aqui falando de maturidade, até porque acho a maturidade pregada pela sociedade um saco, mas sim de o cara ter alguma noção do universo que o cerca, de saber que a vida vai além da baladinha de sexta-feira. Pior ainda é quando vários desses se juntam, daí vem a formar os batalhões de ignorantes que fazem a alegria dos nossos políticos corruptos.

Há uma grande diferença entre ser descontraído e de bem com a vida e ser um babaca que só faz molecagem. Você não precisa endurecer ao ponto de não poder se divertir, há espaço pra tudo, a grande questão é saber organizar e otimizar o tempo, ou seja, você pode ir à balada, sair com os amigos pra falar besteira, ir à academia e, ainda assim, ler um livro, assistir bons filmes e acessar portais de notícias, é gratuito e não machuca.

Criou-se uma cultura em torno da minha geração que relaciona de forma absurda inteligência à caretice, de uma forma que o cara que não se encaixa em determinado perfil não pega ninguém e outros argumentos patéticos, o que pra um adolescente ainda com a personalidade em formação realmente acontece de ser influenciado, agora marmanjos de 20, 30 anos com esse comportamento de gado já é demais.

Temos que ter mais discernimento e sede por informação e conhecimento. Questionar valores, buscar diversões alternativas, encher a cara de bebida e de livros, tudo na medida certa, ser sério quando o assunto exigir seriedade e se divertir ao extremo nos momentos de lazer. Essa é a verdadeira rebeldia. Estou cansado de ver jovens conservadores e coroas liberais, nossa geração tem que assumir seu espaço na sociedade e finalmente mostrar a que veio e não ficarmos escondidos atrás das redes sociais pagando de cool ou revoltado.

Vida real!!! Agora!!!



David Oaski



sexta-feira, 5 de abril de 2013

RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE?



Sempre que surge uma discussão mais áspera sobre religião, alguém encerra qualquer tipo de argumento com a célebre frase: “Religião não se discute”. Será mesmo?

Sou totalmente a favor de cada um manifestar sua fé da forma que quiser, crer ou não crer no que quiser e seguir qualquer tipo de dogma, crença ou religião. Pouco importa se você é ateu, cristão, católico, espírita, desde que saiba respeitar e conviver com o espaço do outro, sem problemas.

O problema é quando a religião foge do âmbito dos seus e passa a atingir a sociedade de um modo geral. Por exemplo, sabemos que muitos religiosos se fecham entre seus pares, num esquema parecido com a maçonaria, em que só se relacionam e interagem com pessoas da sua igreja ou religião. Isso até poderia ser interessante, mas fico pensando o quanto esse favorecimento não está tirando oportunidades de outros que estão à margem da religião na sociedade.

Outro fator, esse mais importante, é o fato dos partidos políticos voltados aos religiosos. Sei que a constituição permite o surgimento desses partidos, mas considero muito preocupante quando se fala em bancada evangélica no congresso, por exemplo, sempre lembrando que o estado é laico e não deve nada a religião nenhuma.

Quando aceitamos esse argumento de que religião não se discute, estamos dando espaço para que o Estado seja invadido por dogmas de determinados representantes que esquecem do princípio laico da coisa.

Sei que essa é uma discussão complexa, pois os políticos e autoridades religiosos estão nesses cargos por voto do povo, mas creio que deva ser considerada a implementação de algum mecanismo capaz de avaliar se o cara está ali apenas para fortalecer sua classe ou está em busca do bem comum do Estado. Deixo aqui bem claro que esse mecanismo deve ser utilizado para todos representantes, não só religiosos, mas médicos, palhaços e todas outras classes possíveis.

Enfim, creio que religião como busca por auto conhecimento, paz e contato com o divino realmente não se discute, cada um tem a sua, porém quando essas preferências passam a influenciar a sociedade de um modo geral, devemos discutir sim, senão cada vez mais veremos caras do naipe do Marco Feliciano em cargos importantes do país.



David Oaski

quarta-feira, 27 de março de 2013

A BABAQUICE DOS COMERCIAIS DE CARRO



Pra começar, ao contrário da maioria esmagadora da minha geração não sou viciado em carros. Não sei os nomes, modelos ou marcas da hora, tampouco os lançamentos e últimas novidades do mundo automotivo. Sei o básico, o nome dos carros mais conhecidos, principais marcas e o pouco que vejo em noticiários.

Nunca entendi essa relação que muitos fazem entre ser uma pessoa bem sucedida com ter um carro ultra moderno. É óbvio que todos querem conforto e um carro com bons recursos é algo que todos que tem boas condições almejam ter, mas relacionar diretamente um bem material como se fosse a maior realização pessoal possível é de uma babaquice sem tamanho.

Creio que esse comportamento é estimulado pelos comerciais das grandes companhias, que são sempre veiculados em horários nobres, de alta audiência. Essas propagandas põem sempre homens de personalidade forte, seguros, conquistadores, bonitos, ricos e elegantes, de forma como se ele fosse tudo isso devido ao seu potente carro.

É nessas horas que vemos como a população brasileira (talvez mundial?) anda alienada e como as pessoas são influenciadas por qualquer porcaria. Não vou generalizar também e dizer que não há exceções nos comercias, algumas vezes vemos publicidades realmente criativas como aquela do ‘homem peixe’, mas de um modo geral a maioria usa esse estereótipo do carro como degrau máximo do sucesso.

Sucesso, ao meu ver, é ser lúcido, se sentir bem consigo mesmo, se divertir e fazer tudo aquilo que lhe traz boas sensações, lembrando sempre que a vida é curta e não levamos dinheiro ou bens materiais dessa passagem.

Infelizmente aos olhos da sociedade, essa visão talvez faça sentido, mas aos meus não faz nenhum. Como dizem que toda unanimidade é burra, fico mais tranquilo.



David Oaski

terça-feira, 19 de março de 2013

CUIDADO COM SEUS DESEJOS



- Não tem nada de interessante pra se fazer nessa porra de cidade. – esbravejava constantemente João Lucas.

Todos concordavam. Realmente, o interior de Ignoralândia era de um marasmo só. A vida da cidade se resumia a um outro mini aglomerado de velhinhas falando sobre a vida alheia, coroas jogando bocha e dominó, crianças indo à escola, comércios que duravam anos e a velha rotina que se seguia a séculos.

A vida noturna existia, mas era tosca. As opções eram lamentáveis, giravam em torno de sertanejos universitários, pagodes e funks. Numa ou outra noite bêbado, João e seus amigos acabavam por entrar nesses recintos, sendo que se arrependiam no mesmo instante.

- Eu não acredito que a gente entrou aqui de novo. Essa é a última vez cara, eu juro. – dizia João.

- Ah, para de reclamar cara, a gente já tá aqui. Vamos nos divertir. – respondia um amigo próximo.

Ou seja, além de desconfortável João ainda passava por resmungão.

João Lucas era fã de rock, mas a balada voltada para esse público ficava numa cidade vizinha, a uns 20 quilômetros, e, além disso, seus amigos não eram tão chegados em rock n’ roll, por isso a ida à balada sozinho se tornava deprimente.

Após muito tempo de trabalho, aos vinte e poucos anos João conseguiu se mudar pra uma grande metrópole do país. Agora sim, ele sentia como se tivesse o mundo aos seus pés. Apesar de não ser nenhum galã de cinema, ele acumulava alguns casos amorosos e relacionamentos e agora isso deveria se elevar à décima potência.

Porém pouco tempo após a mudança, já devidamente instalado e adaptado ao ritmo da cidade grande João não se sentia feliz, tampouco realizado, apesar da grande cidade, das diversas opções de lazer, das facilidades sexuais, ele não se sentia contente e isso o deixava completamente frustrado, pois ele havia batalhado e conseguido chegar onde sempre quis estar, porém não se sentia completo.

João enfim percebeu que ele era o problema e não as muletas que ele encontrava e, enquanto não se resolvesse consigo mesmo não seria feliz em lugar nenhum, afinal ele não era um bom lugar. Ele voltou a sua cidade natal e percebeu o quanto de diversão ele havia deixado passar com seu egoísmo e falta de tolerância.

João Lucas chegou à conclusão que saber se divertir é uma arte e finalmente se livrou da tensão que carregava a tanto tempo, gozando de cada momento deixando a arrogância de lado.



David Oaski

segunda-feira, 11 de março de 2013

QUANTO VALE UMA VIDA?



Nada. A resposta é essa. Simples assim, uma vida humana no mundo de hoje não vale nada, somos só números, vivos ou mortos, não passamos de estatística.

O que me faz chegar a essa conclusão radical? O atropelamento de um morador da periferia que ia trabalhar de bicicleta por um playboy que voltava da balada louco de vodca, arrancando o braço do rapaz e jogando o membro num córrego, impossibilitando o reimplante.

Essa é uma daquelas notícias desagradáveis, que te estragam um dia, que você tem que ler, reler, até assimilar a que ponto chegamos e como o ser humano pode ser cruel e inescrupuloso.
Não quero nem me estender na discussão do cara estar dirigindo bêbado, pois nada justifica o cara ter jogado o braço do outro pela janela. NADA!

Essa sociedade desestruturada confunde tudo. Um indo trabalhar de bicicleta, fica sem braço, o outro playboy bêbado voltando da balada, se bobear nem vai ser preso. Enfim, segue o jogo.

É complicado ter esperança num mundo onde coisas como essa acontecem com cada vez maior frequência e pior, as pessoas cada vez mais encaram com naturalidade tais fatos. Nosso mundo tá muito doente.

Que Deus ponha nossas cabeças no lugar.



David Oaski

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

QUEM PUXOU O GATILHO?



Sempre que vejo alguém defendendo a pena de morte no Brasil acho uma opinião completamente desmedida.

Não, não sou nenhum defensor exacerbado dos direitos humanos, mas a questão não é essa.
O que passa sempre pela minha cabeça sempre é o quanto de acesso à cultura, educação, saúde e segurança aquele criminoso teve na infância e no decorrer de sua vida.

Fui elucidado pra esse aspecto da questão após assistir o filme documentário “Ônibus 174”, dirigido pelo José Padilha, o mesmo de “Tropa de Elite”. O filme relata o sequestro de um ônibus ocorrido no Rio de Janeiro, em 2000, e relata também as origens do sequestrador, que quando criança havia sobrevivido ao Massacre da Candelária, seu pai biológico havia abandonado a sua mãe, e esta seria assassinada na sua frente. Ou seja, o cara era um monstro, mas a omissão da sociedade fez de tudo para que ele se transformasse nesse monstro. Você já parou pra pensar que poderia ser você ao ter essa sorte no lugar dele?

Claro que entendo plenamente a dor de quem perde um parente ou alguém próximo vítima da violência, num momento cego de raiva, tornam-se incapazes de avaliar as coisas com clareza, mas me espanta pessoas de fora dar essa solução barata para um problema social, cujos principais responsáveis são nossas autoridades, nossos políticos e nós mesmo que reagimos com omissão a tanto descaso e corrupção por parte dos que gerem nosso país.

Antes de discutirmos questões como pena de morte e aborto, precisamos resolver todas essas questões que vem antes e são de suma importância, para que aí sim, com TODOS brasileiros tendo acesso à educação decente, tendo um bom discernimento cultural, com segurança, saúde e condições dignas de sobrevivência, possamos pensar em punir crimes de forma mais radical.

A partir de agora, sempre que você for julgar um criminoso, faça a reflexão sobre quem puxou o gatilho, pois efetivamente foi o bandido, mas por trás dele haviam vários dedos omissos que podiam ter evitado aquele tiro.



David Oaski

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

LEI SECA



O termo lei seca me remete ao período da década de 20, quando nos Estados Unidos ocorria a proibição completa da comercialização das bebidas alcoólicas, relegando ao tráfico e a clandestinidade o consumo de qualquer tipo de bebida destilada.

No Brasil, o termo se refere ao combate ao consumo da bebida alcóolica por parte de motoristas no trânsito. Com a implantação da lei, eram comuns nas grandes cidades do país blitz ou comandos da polícia, se utilizando do bafômetro para pegar os motoristas sem condições de dirigir de acordo com uma quantidade mínima que pode ser encontrada.

O indivíduo tem o direito de se recusar a fazer o teste, porém caso o policial desconfie do comportamento do cara, ele pode o levar para delegacia e solicitar um exame de sangue.
Desde o princípio surgiram inúmeras discussões sobre a quantidade permitida de consumo de álcool ser muito baixa, a ponto de uma cerveja já se caracterizar como uso abusivo e consequentemente virar uma multa gravíssima.

Quando a fumaça em torno da Lei Seca já havia abaixado e estávamos até com a impressão de que a ronda em torno do cumprimento da lei estava mais frouxa, surge uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), diminuindo ainda mais a tolerância dos testes de bafômetro de 0,10 miligramas de álcool por litro de ar para 0,05, sendo a infração considerada gravíssima, gerando multa no valor de R$ 1.915,40. Além disso, caracteriza-se como crime de trânsito a quantidade igual ou superior a 0,34 miligramas de álcool por litro de ar. O que mais chama a atenção é que dessa forma, até o uso de um antisséptico bucal pode ultrapassar o limite imposto pela lei.

Dá pra ver que o governo pretende através da lei coibir ao máximo extremo que os indivíduos assumam a direção de seus veículos após a ingestão de bebidas alcoólicas. Acho justo, afinal, são muitas mortes causadas por acidentes de trânsito diariamente, ainda mais em fins de semana e, principalmente em feriados prolongados, muitas vezes causados por condutores que abusam do álcool. E quando se trata de segurança à vida, realmente acho que todas as medidas são válidas e pra sanarmos de vez os problemas a radicalidade se faz necessária.

Por outro lado, acho que o governo, tanto federal, quanto estadual e municipal deveriam oferecer mecanismos que permitam que cada vez mais o consumidor de bebida alcoólica não dependa de seu carro ou moto. Por exemplo, se o cara vai pra um barzinho ou balada que não seja perto de sua casa, voltando de madrugada, salvo raríssimas exceções de cidades do país, ele ficará horas esperando algum ônibus passar, pois nos fins de semana e feriados, ao invés de as empresas de transporte público aumentarem suas frotas, elas diminuem. E nem venham falar em táxi, pois o preço cobrado é absurdo, ainda mais no período noturno.

Não adianta também esperar que as pessoas simplesmente parem de beber sua cerveja nos fins de semana, happy hours, festinhas e afins, pois o consumo de álcool faz parte da nossa sociedade. Não sejamos hipócritas.

Essa lei, ao contrário de outras, é muito útil e tem total fundamento, mas nosso governo gosta muito de cobrar certas posturas do povo, mas não oferece condições mínimas para que todos tenham gosto em contribuir. Enfim, devemos cumprir nosso papel, mas espero que o governo e suas respectivas autoridades também cumpram o deles.


David Oaski