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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A NOVA GERAÇÃO DO ROCK NACIONAL - PARTE 2

A alguns meses fiz um apanhado de novas bandas do rock nacional, a fim de canalizar num post novos sons a quem tem interesse, porém não tem tempo de ir atrás ou simplesmente não está por dentro do que tá rolando na música que não chega às grandes massas.

Naquele primeiro post falei de cinco bandas e abaixo vão mais cinco que valem a audição:

Black Drawing Chalks

Um dos principais expoentes da frutífera cena rock de Goiás, o Black Drawing Chalks faz uma mistura de influências de stoner rock com rock setentista e faz um som sagaz, com pegada estradeira e viril.
Junte distorção e psicodelia, porém sem papagaiada, soando cru. Esse é o som do BDC:



Stellabella

O Stellabella é uma banda carioca muito rock n’ roll, com forte influência do rock dos anos 90, principalmente do grunge.
Eles já tem dois álbuns lançados e a poucas semanas lançaram seu novo EP “Rock In Der Vene”.
Vejam o novíssimo clipe do single “Bunker”:



Molho Negro

Você que acha que o melhor que o Pará fornece para música nacional é a terrível Gabi Amarantos terá uma grata surpresa ao ouvir o som desses caras de Belém.
Com um rock de garagem eles pintaram no ano passado com o bom EP “Rock!” e acabam de lançar um novo disco intitulado “Lobo”.
Vejo eles como um Autoramas com melodias mais densas. Se liga no novo clipe “Concurso”:



Suricato

Banda natural do Rio de Janeiro que ganhou fama por estar participando do reality show da Globo, Superstar. Com um som com forte influência de folk moderno e pop rock, eles se caracterizam por utilizar instrumentos inusitados como banjo, ukulele, entre outros.
Com um disco lançado em 2012 chamado “Pra Sempre Primavera” eles prometem um lançamento para logo mais aproveitando a onda de sucesso do programa global.
Saca a baladinha:



Maglore

Banda baiana que soma pop rock com doses de MPB, dando liga num som que flerta com o melhor dos Los Hermanos através de canções com melodias calcadas nas guitarras e letras com forte apelo poético, ora ensolarado, ora melancólico.
Eles possuem dois discos lançados: “Veroz”, de 2011 e “Vamos Pra Rua”, de 2013 e canções como “Demodê” e “Às Vezes Um Clichê” tem um potencial enorme no cenário pop atual.



Estão aí mais cinco bandas que mostram que o rock ainda tem muitos artistas talentosos espalhados pelo Brasil, só falta um gatilho que é difícil determinar o que é, para esses caras ganharem mais espaço. Quem sabe se o Brasil fosse um país mais culto?


David Oaski



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A NOVA GERAÇÃO DO ROCK NACIONAL - PARTE 1

Todo ano ao anunciarem os números de músicas com maiores execuções nas rádios do país a surpresa é enorme: onde estaria o rock? Salvo raras exceções, como O Rappa, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Jota Quest ou Skank é raro alguma outra banda obter espaço em rádios populares.

Mas a observação que faço desses estudos é mais objetiva, se você quer ouvir novos sons no rock nacional procure em qualquer lugar, menos nas rádios populares. Internet, rádios online, blogs e portais, esses são os caminhos para descobrir novos sons. Caso você não tenha tempo de procurar, então se contente com Gustavo Lima ou outra porcaria qualquer.

Para mostrar que o rock nacional continua produzindo diversas bandas de qualidade, resolvi listar alguns novos nomes que vem fazendo ótimos trabalhos e obtendo ótima repercussão com gravações e turnês executadas na raça, sem ajuda de governo ou patrocinadores.

Lembrei de algumas bandas e resolvi dividir o post em duas partes. Abaixo você vê a primeira leva de novas boas bandas do rock nacional:


Vespas Mandarinas

Tudo nessa banda é legal, a começar pelo nome, composto agressivo, soa bem. Formada por músicos experientes na cena nacional: Chuck Hipolitho (ex Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (ex Banzé) e André Dea (que também toca no Sugar Kane), contam ainda com o baixista Flávio Guarnieri.

A banda paulista lançou até aqui duas demos, “Sasha Grey” e “Da Doo Ron Ron” e um álbum cheio, “Animal Nacional” que de cara concorreu ao Grammy Latino. Os caras trazem as melhores influências do rock nacional, de Titãs a Skank, de Paralamas a Inocentes, eles abordam temáticas urbanas com excelentes letras e melodias trabalhadas dando ênfase às guitarras dos dois front man (Thadeu e Chuck).

É daquelas bandas que podem furar esse bloqueio e adentrar nas rádios populares. Eles parecem dispostos a isso.

Saca só a qualidade do som dos caras:



Vivendo do Ócio

Banda baiana de Salvador, fundada em 2006 e que ganhou destaque ao vencer o festival Gas Sound, que lhes deu direito de gravar o excelente álbum “Nem Sempre Tão Normal”, de 2009.

A banda surgiu com forte influência do indie rock dos contemporâneos do The Strokes, Franz Ferdinand e afins, porém no segundo lançamento “O Pensamento É Um Imã”, de 2012 abriu o leque para influencia maior de bandas gringas e do rock nacional.

Capitaneada pelo guitarrista e vocalista Jajá Cardoso a banda é uma das mais promissoras do rock atual, com ótimas letras e boas referências ainda vão nos brindar com muita música boa.

Olha a música nova deles e fale que não é tão bom quanto qualquer uma dessas bandas gringas bajuladas pela imprensa especializada:




Nevilton

Nevilton de Alencar é um ótimo guitarrista e trabalha as melodias de forma excelente no power trio em que se juntam a ele o baixista Tiago Lobão e o baterista Eder Chapolla.

Oriundo do Paraná, o cara vem recebendo cada vez mais elogios da crítica e ganhando o público com suas canções com forte apelo radiofônico e letras bastante pessoais. São dois discos lançados até aqui: “De Verdade”, de 2011 e “Sacode!”, de 2013, que está em 10 de 10 listas de melhores álbuns nacionais do ano passado e também concorreu ao Grammy Latino.

Melodias de guitarra, pop e alguns ares de MPB resumem bem o som do Nevilton. Saca só:



Supercombo

Banda novíssima oriunda de Vitória, Espírito Santo, mas consolidada em São Paulo ainda não possui nenhum álbum lançado -  o primeiro sai ainda esse mês “Amianto” e já está em pré venda no Itunes. Conta com músicos experientes na cena musical, seja como produtor ou integrante de outras bandas, todos tem rodagem e experiência para tornar esse primeiro álbum extremamente aguardado.

A música “Piloto Automático” já está tocando nas rádios jovens e o único adjetivo que consigo encontrar pra essa música é: sensacional. Um retrato da desolação das novas gerações com ótima letra e vocação pop.

Ouça e fique ansioso pelo álbum cheio:



Apanhador Só

Essa banda gaúcha surgiu em 2005 e lançou seu primeiro álbum, homônimo, em 2010 e chamou atenção pela utilização de instrumentos pouco convencionais, tanto no palco quanto nas apresentações ao vivo, incluindo gaiolas, talheres e até um pneu de bicicleta na sonoridade da banda.

Porém foi com o segundo álbum que os caras alcançaram o reconhecimento nacional, lançado no ano passado, “Antes Que Tu Conte Outra” foi eleito através de votação em alguns sites, como no renomado Scream & Yell, por exemplo, como melhor álbum nacional de 2013 e não é exagero.

Os caras aprofundaram a identidade sonora, com letras maduras e se distanciaram das constantes comparações (descabidas por sinal) com Los Hermanos e Pato Fú.
“Mordido” e “Despirocar” retratam a situação do jovem brasileiro como ninguém ainda havia conseguido traduzir em forma de canção. Movido pelos protestos ocorridos ao longo do país a banda foi a que melhor conseguiu retratar esse momento e certamente será reconhecida no futuro por isso.

Despiroque:







Em breve publicarei a segunda parte, mas se você tem alguma dica, manda aí nos comentários, pois é sempre bom compartilhar o que está rolando de música realmente boa no país. Vamos mostrar que existe muito mais do que essas listas de fim de ano apontam.

O rock tá aí e sempre vai estar, pra quem quiser!


David Oaski