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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A NOVA GERAÇÃO DO ROCK NACIONAL - PARTE 1

Todo ano ao anunciarem os números de músicas com maiores execuções nas rádios do país a surpresa é enorme: onde estaria o rock? Salvo raras exceções, como O Rappa, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Jota Quest ou Skank é raro alguma outra banda obter espaço em rádios populares.

Mas a observação que faço desses estudos é mais objetiva, se você quer ouvir novos sons no rock nacional procure em qualquer lugar, menos nas rádios populares. Internet, rádios online, blogs e portais, esses são os caminhos para descobrir novos sons. Caso você não tenha tempo de procurar, então se contente com Gustavo Lima ou outra porcaria qualquer.

Para mostrar que o rock nacional continua produzindo diversas bandas de qualidade, resolvi listar alguns novos nomes que vem fazendo ótimos trabalhos e obtendo ótima repercussão com gravações e turnês executadas na raça, sem ajuda de governo ou patrocinadores.

Lembrei de algumas bandas e resolvi dividir o post em duas partes. Abaixo você vê a primeira leva de novas boas bandas do rock nacional:


Vespas Mandarinas

Tudo nessa banda é legal, a começar pelo nome, composto agressivo, soa bem. Formada por músicos experientes na cena nacional: Chuck Hipolitho (ex Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (ex Banzé) e André Dea (que também toca no Sugar Kane), contam ainda com o baixista Flávio Guarnieri.

A banda paulista lançou até aqui duas demos, “Sasha Grey” e “Da Doo Ron Ron” e um álbum cheio, “Animal Nacional” que de cara concorreu ao Grammy Latino. Os caras trazem as melhores influências do rock nacional, de Titãs a Skank, de Paralamas a Inocentes, eles abordam temáticas urbanas com excelentes letras e melodias trabalhadas dando ênfase às guitarras dos dois front man (Thadeu e Chuck).

É daquelas bandas que podem furar esse bloqueio e adentrar nas rádios populares. Eles parecem dispostos a isso.

Saca só a qualidade do som dos caras:



Vivendo do Ócio

Banda baiana de Salvador, fundada em 2006 e que ganhou destaque ao vencer o festival Gas Sound, que lhes deu direito de gravar o excelente álbum “Nem Sempre Tão Normal”, de 2009.

A banda surgiu com forte influência do indie rock dos contemporâneos do The Strokes, Franz Ferdinand e afins, porém no segundo lançamento “O Pensamento É Um Imã”, de 2012 abriu o leque para influencia maior de bandas gringas e do rock nacional.

Capitaneada pelo guitarrista e vocalista Jajá Cardoso a banda é uma das mais promissoras do rock atual, com ótimas letras e boas referências ainda vão nos brindar com muita música boa.

Olha a música nova deles e fale que não é tão bom quanto qualquer uma dessas bandas gringas bajuladas pela imprensa especializada:




Nevilton

Nevilton de Alencar é um ótimo guitarrista e trabalha as melodias de forma excelente no power trio em que se juntam a ele o baixista Tiago Lobão e o baterista Eder Chapolla.

Oriundo do Paraná, o cara vem recebendo cada vez mais elogios da crítica e ganhando o público com suas canções com forte apelo radiofônico e letras bastante pessoais. São dois discos lançados até aqui: “De Verdade”, de 2011 e “Sacode!”, de 2013, que está em 10 de 10 listas de melhores álbuns nacionais do ano passado e também concorreu ao Grammy Latino.

Melodias de guitarra, pop e alguns ares de MPB resumem bem o som do Nevilton. Saca só:



Supercombo

Banda novíssima oriunda de Vitória, Espírito Santo, mas consolidada em São Paulo ainda não possui nenhum álbum lançado -  o primeiro sai ainda esse mês “Amianto” e já está em pré venda no Itunes. Conta com músicos experientes na cena musical, seja como produtor ou integrante de outras bandas, todos tem rodagem e experiência para tornar esse primeiro álbum extremamente aguardado.

A música “Piloto Automático” já está tocando nas rádios jovens e o único adjetivo que consigo encontrar pra essa música é: sensacional. Um retrato da desolação das novas gerações com ótima letra e vocação pop.

Ouça e fique ansioso pelo álbum cheio:



Apanhador Só

Essa banda gaúcha surgiu em 2005 e lançou seu primeiro álbum, homônimo, em 2010 e chamou atenção pela utilização de instrumentos pouco convencionais, tanto no palco quanto nas apresentações ao vivo, incluindo gaiolas, talheres e até um pneu de bicicleta na sonoridade da banda.

Porém foi com o segundo álbum que os caras alcançaram o reconhecimento nacional, lançado no ano passado, “Antes Que Tu Conte Outra” foi eleito através de votação em alguns sites, como no renomado Scream & Yell, por exemplo, como melhor álbum nacional de 2013 e não é exagero.

Os caras aprofundaram a identidade sonora, com letras maduras e se distanciaram das constantes comparações (descabidas por sinal) com Los Hermanos e Pato Fú.
“Mordido” e “Despirocar” retratam a situação do jovem brasileiro como ninguém ainda havia conseguido traduzir em forma de canção. Movido pelos protestos ocorridos ao longo do país a banda foi a que melhor conseguiu retratar esse momento e certamente será reconhecida no futuro por isso.

Despiroque:







Em breve publicarei a segunda parte, mas se você tem alguma dica, manda aí nos comentários, pois é sempre bom compartilhar o que está rolando de música realmente boa no país. Vamos mostrar que existe muito mais do que essas listas de fim de ano apontam.

O rock tá aí e sempre vai estar, pra quem quiser!


David Oaski








segunda-feira, 15 de abril de 2013

A NOVIDADE QUE VALE A PENA: VESPAS MANDARINAS



Formada em 2009, a banda contava com um time de peso do rock nacional, encabeçada por Chuck Hipolitho (ex-Forgotten Boys e atual VJ da Mtv), Thadeu Meneghini (ex-Banzé!), Mike Vontobel (Bidê ou Balde) e Mauro Motoki (Ludov). Juntos os caras buscavam desde o início fazer um som em português com fortes influências do pop rock nacional, que agregasse com letras interessantes e boas melodias, tendo como missão árdua, tentar resgatar o gosto popular pelo rock, como ocorreu nos anos 80 e 90.

Lançaram em 2010 seu primeiro EP, intitulado “Da Doo Ron Ron”, que já mostrava o bom potencial da banda, porém ainda de forma meio destemperada, como era de se esperar já que eles ainda estavam se conhecendo e experimentando para moldar a estética definitiva da banda. No entanto, após esse lançamento saem da banda Mike e Mauro e entram para cozinha o baterista André Dea (que também toca no Sugar Kane) e o baixista Flavio Guarnieri, formando dessa forma a banda como conhecemos até hoje.

No ano seguinte, em 2011, lançaram mais um EP, “Sasha Grey”, já trazendo as Vespas mais azeitadas com a química fluindo melhor, mostrando claramente o enorme potencial da banda. Destaque para a ótima “Antes Que Você Conte Até Dez”.

Capa do "Animal Nacional"
Após dois anos fazendo bons shows, ao lado de outros nomes da cena emergente do rock nacional, como Black Drawing Chalks e Vivendo do Ócio, a banda fecha com a Deck, para produzir e lançar seu primeiro álbum inteiro, essa era a alavanca que a banda precisava.

Saiu então, semana passada, “Animal Nacional”, que vem sendo exaltado – e com justiça – como um sopro de novos ares ao rock nacional. No álbum, a banda soa como um encontro do que melhor aconteceu no rock nacional dos anos 80 e 90, com influências claras de bandas como Titãs, Paralamas do Sucesso e Skank e algo do The Clash, sempre com ótimas melodias de guitarra trazidas pela excelente dupla Thadeu e Chuck e a cozinha dando toda base e energia que as canções pedem, com André e Flávio também tocando muito.

A banda em ação no vídeoclipe de "Cobra de Vidro"
Diante da mesmice do rock nacional, salvo por raras exceções como o já mencionado Vivendo do Ócio, o Detonautas e o Rancore, é um tesão ouvir um disco como esse. É rock nacional na essência, com canções bem executadas que poderiam tocar em qualquer rádio voltada a pessoas com mais de dois neurônios. Vale destaque também para as letras, que fogem totalmente do marasmo “dor de corno” implantado no rock nacional mainstream dos últimos anos. Há parcerias com gente do calibre de Arnaldo Antunes em “A Prova”, Bernardo Vilhena em “Santa Sampa”, e dos amigos da banda Fabio Cascadura e Adalberto Rabelo (parceiro de Thadeu desde os tempos de Banzé!).

Chega a ser difícil apontar os pontos altos do álbum, pois ele é excelente por inteiro e uma obra que, apesar das diversas influências, soa homogênea, característica dos grandes álbuns da história do rock nacional. Mas as que batem de primeira são a já conhecida “Cobra de Vidro”; a sensacional “Não Sei O Que Fazer Comigo”, versão de “Ya No Sé O Qué Hacer Conmigo”, da banda uruguaia El Cuarteto de Nos; “Santa Sampa”;  “O Herói Devolvido”; e “O Inimigo”.

Avião de caça com a cabeça de vespa
Realmente fico emocionado ao ouvir um disco como “Animal Nacional”, pois ele traz de volta à tona tudo que mais me encantou desde sempre no rock n’ roll: boas letras, melodias contagiantes e que são capazes de melhorar o humor de uma pessoa, essa relação orgânica com a música não pode se perder.

Os pilotos de caça
Além do som e das letras, assisti e li entrevistas da banda e gostei muito do discurso e da proposta dos caras, que não tem vergonha nenhuma de dizer que compõem cada canção pensando no seu potencial pop, que acham que o rock nacional está muito supérfluo e infantil e estão levantando a bandeira de um rock nacional que volte a atingir à massa e, sinceramente, com esse disco, eles mostraram que tem potencial para atingir esse objetivo e se não conseguirem que tenham gás e inspiração para continuar tentando.

Pesquisando a definição de vespas mandarinas, vi através de alguns sites que são insetos asiáticos que se caracterizam por fortes habilidades agressivas, atacando em bloco e detonando colmeias inteiras de abelhas e outros insetos em poucas horas. O inseto mata inclusive, muitas pessoas, tamanha a potência do seu veneno. Realmente o nome não podia ser melhor escolhido, já que a banda chega atacando na linha de frente do rock nacional, pronto para invadir as colmeias infestadas pelo ‘sertanojo’ universitário e pagode mela cueca, com agressividade e o mais importante, inteligência.



David Oaski