terça-feira, 30 de julho de 2013

GIVE IT A TRY


- Que dia lindo – ela disse espalhando o cheiro delicioso de seu cabelo por todo ambiente. Ela mal havia visto o semblante do dia.

A noite havia sido linda. Um belo encontro, tudo que o universo pode proporcionar a um casal apaixonado. Jantar, vinho, beijos apaixonados e juras de amor eterno. A típica noite inesquecível.

O sexo havia invadido a madrugada. Sexo mesmo, não amorzinho de novela.

A noite havia sido realmente fantástica. Mas ambos se sentiam angustiados. De certa forma, se sentindo culpados por estarem tão felizes. Não, nenhum dos dois era comprometido, ou sequer tinham algo que os impedisse de mergulhar de cabeça numa paixão, mas aquela agonia os incomodava.

Os tempos em que vivemos realmente estão confusos. Nos sentimos bem fazendo tanta merda nessa vida ‘normal’ que levamos e quando damos de cara com algo realmente bom pra gente, muitas vezes deixamos passar por pura falta de coragem. Um medo de perder algo que não se tem, nunca teve.

O quanto do bom da vida estamos deixando de viver por pudor ou o famoso medo de se machucar. Os anseios existem e nos cercam o tempo todo, é utopia imaginar uma vida sem eles, mas cada coisa deve ter seu devido espaço e seria ótimo se todos deixássemos as coisas boas em primeiro plano.

Arrisque meu amigo. A frustração por falhar é bem melhor do que a omissão de tentar.


David Oaski


quinta-feira, 25 de julho de 2013

RESENHA: THE NEXT DAY - DAVID BOWIE


Nota: 9,0

Que David Bowie é um monstro sagrado da musica pop mundial ninguém tem dúvida, porém o que esperar do vigésimo quarto álbum de um artista totalmente consagrado e que mora há no mínimo trinta anos no panteão dos grandes nomes da história da música mundial?

Quase totalmente excluso da grande mídia, desde que teve um infarto em 2004, Bowie tinha um futuro incerto aos olhos de público e crítica. Ele voltaria a lançar discos? Faria turnês? Se sujeitaria a todo o desgaste do show business novamente? Graças aos céus a resposta foi positiva.

David trabalhava há quase dez anos em total sigilo com o produtor Tony Visconti (que já havia trabalhado com o Camaleão em “Space Oddity” e “The Man Who Sold The World”) elaborando melodias, compondo canções, testando e desenvolvendo sonoridades até lançar no começo do ano o primeiro single do que viria a ser seu novo álbum, dez anos após “Reality”, de 2003, a música lançada através de videoclipe no site oficial do músico pegou a todos de surpresa, pois não havia sido noticiado em nenhum portal de notícias do mundo que Bowie estava na ativa, quanto mais gravando um novo álbum. A música era “Where Are We Now”, uma balada arrastada e melancólica, que traz uma dose do que viria no disco cheio.
O gênio Bowie - 66 anos e o talento intacto

Lançado em Março desse ano, “The Next Day” foi muito bem recebido por fãs e crítica especializada, pois mostra que o talento intrínseco de Bowie segue presente em cada melodia ao longo das 14 canções do álbum. O camaleão é um daqueles raros artistas que sabem fazer melodias singelas virarem joias pops inesquecíveis. Além disso, vale destaque a capa que traz um quadro branco com o nome do álbum sobre a capa de “Heroes”, álbum de Bowie de 1977.

O disco possui rocks potentes e enérgicos, com melodias cheias de vitalidade e colhão pra botar muitas dessas bandas indie que se acham pesadas no chinelo, como se vê na faixa título, que possui melodia musculosa, cheia de camadas sonoras, com guitarras, teclado e cozinha se entrelaçando numa ótima canção; outros exemplos são a chapada “I’d Rather Be High” e “(You Will) Set The World On Fire”, rocks diretos e extremamente competentes.

Também há muito espaço para melancolia, do auge dos seus 66 anos, Bowie confecciona pérolas contemplativas como “Love Is Lost”, “You Feel So Lonely You Could Die” e “Heat”, esta última poderia ter sido facilmente gravada por Trent Reznor e sua turma no Nine Inch Nails.

Cena do vídeoclipe "The Next Day"
O pop oitentista também é celebrado com roupa de gala no funk misturado com jazz “Dirty Boys”; na acelerada “If You Can See Me”, que poderia lembrar uma canção do The Killers se eles se levassem a sério; e nas dançantes e deliciosas “Dancing Out In Space” e “How Does The Grass Grow”, essa última com um belo solo de guitarra.

Há também espaço para baladas românticas com a bela “Valentine’s Day” e a singela “Boss Of Me”, além da semi balada e uma das melhores canções que ouvi em 2013, “The Stars (Are Out Tonight)” que possui letra e melodia marcantes, que já a postulam como um clássico da carreira de Bowie.

Bowie é um verdadeiro arquiteto da música, consegue encaixar cada instrumento, cada timbre, cada som no seu devido lugar dentro da melodia e nesse álbum conseguiu mais uma vez espalhar seu brilho no decorrer de toda obra, pois cada faixa revela um pouco mais do talento desse extraordinário músico, a cada audição você encontra um elemento diferente, uma nuance, uma passagem ou um trecho que havia passado batido. É o caso de um disco para se ouvir até o fim da vida, de tempos em tempos sendo degustado.

Torcemos pra que esse não seja o último registro de Bowie em vida, mas se for, trata-se de uma senhora despedida. O camaleão do rock devia um grande disco às gerações mais novas e lhes entregou “The Next Day”, cabe a nós desfrutá-lo o máximo possível.


David Oaski


domingo, 21 de julho de 2013

ANGÚSTIA DOMINICAL


Será que esses domingos vão deixar de ser tão longos

Será que essa angústia vai diminuir

Será que se a perspectiva da segunda fosse melhor o fim de domingo seria menos melancólico

Quero tudo e não quero nada

Estou feliz e miserável

Sons tocam em casas vizinhas

O barulho de chuva ecoa pela janela

Os outros moradores da casa seguem seus dias

O domingo segue seu curso

Que dia longo

Que dia morno

Vem e me resgata

Faz tudo valer a pena

Justifica a dureza da vida pelo menos por alguns instantes

Me traz aquela paz que só seu sorriso é capaz de transmitir

Me abraça e diz que tudo vai ficar bem

Me enche de clichês

Eu também preciso deles

Vem e traz tudo de bom

E leva todo mal embora


Intensidade não é pecado em tempos de migalhas


David Oaski

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O GOLPE DE ESTADO DO ROCK NACIONAL


 Conheci o Golpe de Estado no ano passado, quando baixei o primeiro álbum da banda, homônimo, lançado em 1986. De cara não pude crer como aquela banda era pouco celebrada e reconhecida nos dias atuais, pois as melodias eram incríveis, as letras muito bem elaboradas e a banda possuía um entrosamento fantástico entre si.

Minha curiosidade aumentou e segui ouvindo os outros álbuns da banda: “Forçando A Barra”, de 1988; “Nem Polícia Nem Bandido”, de 1989; “Quarto Golpe”, de 1991; e “Zumbi”, de 1994. A apreciação foi aumentando gradativamente a cada álbum, assim como a qualidade sonora da banda ia se aperfeiçoando a cada novo lançamento.

Formação Clássica: Catalau, Zinner, Nelson e Helcio
Na sua fase clássica, a banda era formada por Catalau (vocais), Paulo Zinner (bateria), Nelson Brito (baixo) e Helcio Aguirra (guitarra) e juntos faziam um hard rock cru, com pitadas de blues e até heavy metal, só que ao contrário da maioria de seus contemporâneos, faziam letras em português, sendo essas com uma qualidade invejável a bandas de maior reconhecimento na mídia. Pra se ter uma noção do respeito que o Golpe tinha na cena rock, eles tem parcerias com gente do naipe de Branco Melo e Arnaldo Antunes (Titãs) e Rita Lee, além de terem se apresentado ao lado do Ira!, entre outras bandas.

O ótimo vocalista Catalau também compunha a maior parte das letras da banda e escreveu coisas sensacionais, como “Paixão”, “Olhos de Guerra”, “Velha Mistura” e “Caso Sério”. A cozinha formada por Zinner (que depois tocaria na banda da Rita Lee) e Nelson também é algo a ser destacado, pois além de muito entrosados preenchem devidamente cada espaço da melodia, que é capitaneada por Helcio, certamente um dos melhores guitarristas do Brasil, vide a variedade de riffs e qualidade dos solos da discografia do Golpe.

Formação atual: Helcio, Roby, Nelson e Dino
Por fazer um tipo de som visto pelas rádios e gravadoras como pouco acessível, o Golpe de Estado sempre ficou relegado ao segundo ou terceiro escalão do rock nacional, sendo pouco reconhecido fora da sua cidade natal, São Paulo. Enquanto bandas da época (segunda metade da década de 80) faziam um som mais comercial, como Legião Urbana, Capital Inicial, Biquini Cavadão e RPM, o Golpe preferiu seguir seus ideais e fazer aquilo que eles realmente acreditavam. No entanto, apesar da boa repercussão dos discos e shows bem requisitados em São Paulo, eles não chegaram perto de alcançar as massas como os outros citados.

O performático Catalau e o excelente Helcio
Chega a ser revoltante ver tantas bandas medíocres fazendo sucesso dentro do cenário do rock nacional e notar como o Golpe de Estado nunca recebeu o devido reconhecimento, mas de qualquer forma, os álbuns e vídeos da apresentações estão na Internet pra qualquer um que tenha curiosidade localizar.

É fundamental ressaltar que a banda segue na ativa, com Helcio e Nelson da formação original, o talentoso vocalista Dino Linardi (Catalau virou evangélico e conta histórias parecidas com as de Rodolfo, ex-Raimundos) e Roby Pontes na bateria. Eles seguem fazendo diversos shows Brasil afora e lançaram um álbum ano passado: “Direto do Fronte”, com participação de Dinho Ouro Preto no primeiro single: “Rockstar”, que brinca com os perrengues da profissão de roqueiro que a banda conhece bem.

Se não conhece o Golpe de Estado, corra atrás do material, pois é hard rock do bom, feito por músicos honestos e talentosos, que seguiram ao pé da letra a ideologia rock n’ roll.


David Oaski



quarta-feira, 17 de julho de 2013

RESENHA: SOME KIND OF MONSTER



Nota: 7,5

Some Kind Of Monster é um documentário lançado em 2004 pela banda norte americana Metallica. A princípio, o registro tinha a intenção de registrar o making of do álbum “St. Anger”, lançado em 2003, porém devido aos diversos problemas de relacionamento entre os integrantes da banda e so problemas individuais do mesmo, o filme acaba por relatar a fase mais turbulenta dos 30 anos de carreira da banda e como ela conseguiu ultrapassar as dificuldades e se manter na ativa.

As filmagens começam em 2001, apresentando logo de cara, como Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e James Hetfield (vocais e guitarra) tiveram de lidar com a saída do baixista Jason Newsted, alegando cansaço e divergências pessoais. Esse era só o começo da tempestade.

Lars e James: Relação hostil
A banda promove o produtor do álbum: Bob Rock, a baixista provisório e segue com as gravações do que viria a se tornar o controverso álbum “St. Anger”. Durante as gravações, o empresário do grupo resolve contratar um terapeuta para ajudar nas questões internas, que segue com eles durante mais de um ano. Nota-se o quanto James e Lars têm personalidade forte e divergem sobre quase tudo, enquanto Kirk é mais contido e serve como um termômetro entre os dois egos gigantes. Diversas brigas soam infantis, com direito a James saindo batendo a porta do estúdio e Lars gritando ‘fuck’ na cara de seu ‘amigo’.

A coisa degringola quando James se interna num centro de reabilitação para tratamento do alcoolismo, travando todas as atividades relacionadas à produção do novo álbum e deixando incerto o futuro da banda. Nesse meio tempo, é mostrado um pouco mais da intimidade de Kirk (que surfa e tem uma fazenda) e Lars (que também vai a um rancho e tem uma conversa intensa com seu pai). James só voltaria um ano depois, porém sem deixar de lado as tretas com Lars, que se mostra ressentido pelo egoísmo de James só pensar em si mesmo. Ambos usam o termo controlador para definir um ao outro, as brigas são cansativas e extremamente desgastantes para todos os envolvidos.

Há também a passagem em que Lars se encontra com Dave Mustaine, do Megadeth, primeiro guitarrista do Metallica, que se mostra extremamente magoado pela forma como foi tratada sua saída da banda, Lars também demonstra algum arrependimento. Trata-se de um ponto importante, pois acaba por esclarecer uma das passagens mais polêmicas da história da banda.

Apesar de toda confusão, é interessante ver o processo de criação da banda, em conjunto no caso desse álbum. Como as ideias surgiam, como James tem insights brilhantes e como o trabalho do produtor é importante a dar o rumo correto às canções.

Por final, o documentário mostra a finalização do álbum e a contratação de um novo baixista: Robert Trujillo (que segue até hoje), que simboliza a estabilizada nos voos da banda. Juntamente vem a homenagem da Mtv, através do especial Icon, onde grandes nomes da música são homenageados e banda sai em turnê para divulgar seu trabalho.

O documentário é extenso e mostra como estar em uma banda de rock pode ser tão estressante como qualquer outro emprego, tendo em vista que diante do tamanho do grupo, muitas vezes a coisa é tratada como uma empresa, onde todos tem obrigações e abdicações, o que torna-se muito pesado diante de vaidades e egos inflados.

Além disso, serve pra mostrar uma outra face de nossos ídolos, vi um Lars chato e arrogante e um James agressivo e infantil em diversos momentos, demonstrando que os rockstars não são heróis, longe disso, possuem fraquezas e são extremamente vulneráveis.

Mesmo com todos os percalços os caras têm o mérito de terem seguido em frente, encarado os problemas de frente e seguem tocando e gravando até os dias de hoje e, ao que parece, a relação entre eles é boa, já que como dizem, depois da tempestade vem a bonança.


David Oaski


quarta-feira, 10 de julho de 2013

MAIS FRANQUEZA


Há quem prefira sair na porrada a conversar, dialogar ou discutir uma situação. Não é o meu caso. Sinto falta de conversas francas entre as pessoas nas mais variadas situações e graus de relações, sejam familiares, profissionais ou afetivas, muita coisa se resolve na base da boa e velha conversa.

A pessoa tem uma atitude que você não gosta e isso é contínuo e você vai guardando esse incômodo com você até que uma hora isso explode, muitas vezes de forma exagera e desproporcional. Caso você gastasse cinco minutos numa conversa honesta com a pessoa na segunda ou terceira vez que o fato ocorreu talvez não fosse necessário chegar numa situação extrema.

Fico chocado quando ouço relatos de irmãos que falam que não tem liberdade para ter determinado tipo de conversa um com o outro, ou até mesmo casais que parecem estar vivendo com estranhos, já que convivem com certos assuntos como tabus. É inevitável pensar no quanto de brigas, estresse e desgastes seriam evitados com transparência.

É claro que há momentos extremos em que não é possível agir de forma racional e a agressividade realmente toma conta, mas esses momentos, a não ser pra quem sai por aí caçando briga, são raros e é sempre melhor evita-los.

Tenha mais noção, empatia e converse com seu semelhante, procure entender os motivos para ele agir de determinada forma, explique o que está te incomodando e mesmo que isso não resolva, você terá total serenidade de saber que tentou de forma honesta, olhando no olho, sem falsidade e isso, sem dúvida, não tem preço.



David Oaski

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O MARKETING E O UFC


Não é preciso conhecer a fundo a história do UFC para saber que sua ascensão está diretamente ligada a um ótimo trabalho de marketing elaborado por Dana White, seus sócios e sua equipe. Daí surgir à questão do quanto a derrota do brasileiro Anderson Silva no evento de sábado não está associado a mais um golpe de mestre desse evento que cresceu substancialmente nos últimos anos.

Pra quem não assistiu a luta, Silva foi derrotado por Chris Weidman, no UFC 162, no segundo round após provocar continuamente o adversário, o estimulando a golpeá-lo na cara e baixando a guarda, como o brasileiro sempre faz, diga-se de passagem. Porém, numa das provocações de guarda baixa, Chris acertou um direto no queixo de Anderson que caiu ‘desligado’, dando a vitória ao americano.

Silva perde a hegemonia
A repercussão da luta foi imensa, gerando diversos debates na Internet em fóruns e redes sociais, sendo que muitos falam que a derrota foi merecida devido à atitude prepotente do brasileiro diante de seus adversários e o que gerou o knock out foi o excesso de confiança; outros acham que Anderson cansou da pressão de defender o cinturão (já o defende há nove anos) e resolveu largar o trono; já outros como este que vos fala, acham que a derrota trata-se de mais uma tacada de mestre do Marketing de Dana White e seus blue caps.

Ressalto que é tudo teoria da conspiração, não tenho nada que prove minha tese, mas é notável a infinidade de possibilidades que a derrota do brasileiro abre para o evento. Agora Anderson pode pedir uma revanche contra Weidman, já este terá lutas muito mais concorridas já que se tornou o campeão, além de outras infinitas combinações (já se fala em Belfort desafiando o americano). Além disso, a hegemonia não é interessante pra nenhuma categoria esportiva, já que o interesse na competitividade da coisa tende a diminuir com o tempo.

Enfim, provavelmente nunca saberemos se alguma dessas teorias faz ou não sentido, mas sem dúvida alguma a engrenagem do UFC vai capitalizar esta derrota em algo muito maior. Vejamos os próximos capítulos.


David Oaski