sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O POSER E O IDIOTA



De tempos em tempos volta à moda no meio do rock esse termo usado para definir quem gosta de bandas que fazem sucesso e estão no mainstream, o poser. A definição busca identificar aqueles que buscam parecer uma coisa que não são, ou seja, dizer que é do rock, sendo que não conhece o estilo a fundo.

Esse termo é usado como ofensa nos tempos de Internet, mencionado pelos que se acham superiores aos outros por gostar de certas bandas mais tradicionais, tidas como clássicas por público, imprensa e no próprio meio da música. Chegamos num ponto onde gostar de bandas como Slipknot, Avenged Sevenfold ou Coldplay é algo proibido, como se não houvesse no mundo outra banda além de Led Zeppelin, Beatles, Metallica e Black Sabbath.

Realmente devem haver pessoas que se passam por fãs de rock sem muito conhecimento e passam vergonha, mas fico pensando quantos dos que perdem seu tempo pra chamar tal banda de poser, falar que tal banda é um lixo sem nunca ter ouvido a sério seu som e, principalmente, até que ponto esse preconceito estúpido impede as pessoas de conhecer bandas novas que fazem um trabalho interessante. Muitos desses que criticam são os mesmos que falam que indie é coisa de gay, que metal farofa não presta e o pior que o rock acabou, é de dar pena.

Claro que as bandas clássicas têm seu mérito e merecem sempre a lembrança e reverência do público, pois através delas, o rock como movimento cultural se desenvolveu e permanece inserido na cultura mundial há tanto tempo, bandas como Beatles, Rolling Stones, The Who, The Doors, Pink Floyd, Creedence, Lynyrd Skynyrd, Kiss, Queen, Black Sabbath, além é claro dos primórdios com Elvis, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, entre tantos outros, são os pilares de tudo que veio na sequência. São bandas que ultrapassaram seu tempo, sua geração e viraram verdadeiras marcas, que trazem consigo toda uma camada folclórica que é sensacional de ser desvendada.

No entanto, entendo que bandas contemporâneas como Red Hot Chili Peppers, Nirvana, Guns N’ Roses, Foo Fighters, Mastodon, System of a Down, Queens of the Stone Age, Black Keys e até as citadas Slipknot e Avenged Sevenfold, entre outras, tem seu valor, e são ótimas bandas, com carreiras sólidas e bons discos lançados. Não entra na minha cabeça que as pessoas não possam ouvir o que quiserem na hora em que tiverem vontade. Se eu estiver a fim de ouvir Beatles, ouvirei cheio de tesão, e se na sequencia, der na telha de ouvir Slipknot, vou ouvir com a mesma intensidade. Uma coisa não anula a outra.

Além disso, há outro ponto importante nessa discussão que é a porta de entrada pro rock. É difícil acreditar que alguém comece a ouvir rock hoje em dia através das bandas dos anos sessenta e setenta, salvo exceções como em casos de influência dos pais. O mais normal é que o cara ‘se inicie’ ouvindo Linkim Park, Coldplay, Marron 5 e outras bandas que possuem destaque na grade mídia, para daí então, após algum tempo se interessarem ou não pelo estilo como um todo. Resumindo, o cara tem seus 12 anos e é apaixonado pelo Avenged Sevenfold, digamos que daqui a dez anos ele não terá o mesmo apreço pela banda, já curtindo rock clássico, com maior discernimento cultural e tudo mais. Sou o exemplo vivo disso, pois minha banda preferida quando adolescente era o Blink 182, hoje não sou tão fã da banda, já tendo maior interesse em outras vertentes do rock, com bom conhecimento do gênero.

O público de rock que tem esse comportamento de rechaçar qualquer banda que tenha maior destaque na mídia, seja pela maquiagem, pelo som ou qualquer outro motivo se mostra preconceituoso e ignorante, confirmando aquela visão deturpada que a sociedade tem de que todo roqueiro é burro, quando sabemos que é exatamente o contrário.

Ninguém é obrigado a gostar de nada e todos tem suas antipatias com relação a bandas, mas que tal ao invés de comentar nas redes sociais ou comentários em portais diversos frases do naipe de ‘banda lixo’, ‘poser’, ‘som de gay’, você não simplesmente ignora ou tenta montar um argumento menos idiota pra sustentar seu comentário.

Bandas comerciais existem, sempre existiram e sempre vão existir e podem conviver tranquilamente com o indie, o metal, o hard, o stoner, enfim, todos os estilos, basta que nós que gostamos de rock sejamos menos idiotas e promovamos o estilo e não fiquemos desdenhando de tudo, trollando sem parar na rede, ou senão ficará difícil superar a mediocridade da cultura de massa atual.

E outra, conservadorismo não combina nem um pouco com rock n’ roll.




David Oaski

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

(RE)NASCIDO - GLORIA




Nota: 6,5

O Glória é uma banda brasileira, formada em São Paulo, no ano de 2002. O grupo se caracteriza desde o princípio por fazer um som mais pesado que as bandas contemporâneas, como NX Zero, Fresno, entre outras, no entanto os rótulos para definir o som do Glória são diversos, já tendo sido mencionado como screamo, metalcore, hardcore, pop, entre outros.

Creio que a definição mais correta seja realmente o metalcore, pois os vocais guturais do vocalista principal Maurício, alternado com os vocais limpos do guitarrista Elliot, unido ao som pesado, rápido e coeso da banda, lembrando muito o Avenged Sevenfold, por exemplo, com a diferença fundamental das letras em português.

Nesse último disco, a banda soa mais pesada do que nunca, se libertando das amarras do controverso produtor Rick Bonadio, mentor do último lançamento da banda, “Gloria”, de 2009, onde a banda soava mais pop, tentando atingir um público maior.

Em (Re) Nascido, lançado em Maio desse ano, o Glória volta com agressividade e melodia na medida certa, com total autonomia na composição e autoria das canções, a banda parece ter encontrado sua identidade, com influência citada de Lamb of God,Trivium e Mastodon, o som da banda amadureceu, com mais harmonia e canções mais fluentes.

O disco abre com “Bicho do Mato” e já dá o tom do que está por vir, ritmo acelerado, gritos e agressividade, harmonizando com os vocais limpos, porém sem amenizar na porrada.

Na sequência vem “É Tudo Meu”, um esporro que poderia ter sido gravado por qualquer uma das bandas do gênero na atualidade. A letra é tão pesada quanto a música com direito a xingamentos, provavelmente direcionados a uma pessoa egoísta que se exime sempre da sua culpa. Detalhe que nessa música há somente os vocais guturais, não dando espaço a voz mais pop de Elliot.

A seguir vem o primeiro single lançado após o lançamento oficial do álbum, “Arte De Fazer Inimigos”, cuja letra é uma parceria improvável com Lucas Silveira, da Fresno (?!). A música é uma das melhores do play, novamente com vocais alternados, sendo os limpos no refrão, com Maurício dizendo que é muito bom em fazer inimigos. Destaque para o baterista Eloy Casagrande, que deixou a banda para tocar no Sepultura, mas gravou todo o álbum. A banda lançou um videoclipe para essa canção que está tendo ótima repercussão na Mtv.

“Presságio” inicia como uma ópera, com um violino, seguido com uma porrada, é uma das mais pesadas do disco e um dos destaques. Possui um refrão marcante e andamento próximo ao hardcore, sempre alinhado ao vocal gritado de Mauricio, dando vez aos vocais limpos no refrão. No final da música, a banda reduz o andamento, o violino retorna para novamente voltar ao hardcore, dessa vez com o violino sobreposto.

“Só Eu Sei?” se destaca pela letra, uma espécie de protesto revoltado contra tudo que se desmorona ao seu redor. Nessa música incomoda um pouco o excesso dos vocais limpos, pelo peso e letra da música, encaixaria melhor a agressividade permanente na música.

“Desalmado” inicia com as guitarras entrelaçadas de Elliot e Peres (guitarra solo), seguindo com vocal gutural, o vocal limpo é diferente, não consegui identificar se é feito por Elliot, mas não parece. A letra fala sobre alguém totalmente desprezível, com um “odeio você” meio infantil repetido a esmo de forma desnecessária.

A faixa 7, “Pétalas”, inicia com alguns acordes de guitarra bem suaves, anunciando o verso gritado por Maurício, seguido no verso seguinte pelos vocais limpos de Elliot. Essa faixa lembra mais o Gloria pop do disco anterior, com maior espaço para os vocais limpos, letra sobre relacionamento e tudo mais. O destaque da música é um bom solo de guitarra executado por Peres.

A faixa título “(Re)Nascido” começa com um ótimo riff que ganha companhia da guitarra base logo na sequencia. Novamente uma canção com pegada hardcore e letra com discurso motivacional, típico das bandas atuais. Outro destaque do disco.

“Grito” segue a linha de outras músicas do disco, soando repetitiva, novamente uma pegada rápida e letra não muito inspirada. Há uma virada, com Maurício gritando, voltando para um último ‘desabafo’.

“Sangue” foi o primeiro single, lançado antes da liberação do disco. Tem um andamento mais aproximado do metal, com a letra seguindo uma temática mais densa. Novamente destaque para o baterista Casagrande espancando seu instrumento com bons riffs de Peres. Outra das melhores faixas do disco.

Fechando o disco, vem “Horizontes”, com um início suave e Maurício fugindo das suas características cantando de forma suave os primeiros versos, para voltar a gritar, anunciando o refrão de Elliot. Possui boas passagens de guitarra e é uma faixa que se diferencia das outras e foi uma ótima escolha para encerrar o álbum.


Ao final da audição, percebe-se que o Gloria não é uma banda genial ou revolucionária, mas tem seu valor no que se propõe a fazer e tem seu mérito no cenário atual do rock nacional. Pois fazer um som agressivo e pesado, com letras em português, com competência não é pra qualquer banda.

Ainda há quem tenha preconceito devido ao visual dos caras, por vezes são tachados de emos, porém como sempre digo o importante é o som e nisso eles estão evoluindo a cada disco.

Confesso que me incomoda o excesso na utilização dos vocais limpos de Elliot, creio que o ponto forte seja realmente a agressividade, além disso, o formato das músicas por vezes ainda soa repetitivo, revezando agressividade, melodia no refrão, um intervalo pras guitarras, uma virada e o ciclo se repete. No entanto, o disco é provavelmente o melhor da carreira dos caras e se você gosta dessa praia do metalcore, com certeza irá curtir o trabalho.

A arte de fazer inimigos do Gloria realmente procede, pois os headbangers acham que eles são posers, enquanto muitos rockers os acham pesados demais, as rádios também. O que eu acho? Que cada um tem que ouvir e tirar suas conclusões, independente de rótulos ou preconceitos.



David Oaski







segunda-feira, 6 de agosto de 2012

COMO SE FOSSE CRIANÇA




Quando era criança, ficava olhando para as estrelas, sem pretensão nenhuma, só por olhar mesmo, curtir o visual. Lembro que pensava se haveria vida naqueles pontinhos brilhantes e os adultos me explicavam que eles estavam a milhões de anos luz de distância e que nunca ninguém havia chegado até lá. Tudo isso era fascinante.

Me pego pensando há quanto tempo não dou valor pra esse tipo de coisa ‘boba’ da vida e será que realmente são atitudes bobas, contemplar o sol, olhar o luar e as estrelas, sentar em frente ao mar pra fazer nada, só sentir a brisa. Sinceramente, acho isso tudo muito mais importante do que ficar babando no carro passando na avenida, do que trabalhar doze horas por dia, em prol do seu ‘futuro’.

Por que a vida nos endurece tanto nos dias atuais? Tudo parece tão pesado. Você tem que estudar, tem que trabalhar, tem que ser a melhor pessoa do mundo, ser o melhor em tudo que faz, vencer sempre e mais, postar no Facebook depois pra mostrar pros amigos.

Tudo parece tão louco e desvirtuado que pensar nisso é decepcionante. E mais, por não pensar da mesma forma que a maioria, você é tido como alienado, quando a verdade é justamente a contrária. Como já disse aqui num outro post, todos estão parecendo robôs, vestindo sempre o que está na moda, ouvindo a música que toca na rádio e frequentando os lugares que trazem status. Pra que pensar né, deixa a linha de montagem correr.

Quando éramos crianças (pelo menos na minha época), nos preocupávamos em decidir qual seria a próxima brincadeira, no que aprontar, ficávamos curiosos ao ver cada novidade que passava no nosso raio de visão. Será que é tão difícil conservar um pouco disso dentro de nós? Será que estamos utilizando o tempo da melhor maneira possível? Creio que não.

Todos temos responsabilidades e a vida adulta traz consigo uma carga delas, mas por um lado somos tão fortes e dedicados no que diz respeito a estudo e trabalho, por exemplo, por que não sermos também em relação a diversão, cultura e loucura. Isso mesmo, uma dose de loucura não faz mal a ninguém, andar sempre na linha é um porre.

As pessoas são ignorantes pra uma série de questões e conservadoras pra outras, não buscam outro ponto de vista, ao contrário das crianças que sempre querem aprender, sonham alto e olham pras coisas com uma pureza que infelizmente a sociedade atual está tomando da gente.

Dizem que o mundo é cíclico, chamo esse de o ciclo da burrice, espero que esteja no final e que venham grandes dias pela frente.

Afinal, estar vivo é uma coisa, se sentir vivo é outra totalmente diferente.







David Oaski


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A NOVIDADE QUE VALE A PENA: THE BLACK KEYS




O The Black Keys é uma dupla norte americana, formada pelo guitarrista e vocalista Dan Auerbach e pelo baterista Patrick Karney, em 2001.

A banda possui sete discos lançados e faz um som muito competente, muitas vezes rotulado como blues rock, além disso, são comumente comparados ao White Stripes, devido ao fato de serem uma dupla e não possuírem um baixista na sua formação original.

Os dois primeiros lançamentos:  “The Big Come Up” e “Thickfreakness” foram gravados de forma independente pela banda, porém tiveram boa repercussão no cenário underground americano. Já no terceiro álbum, o duo começa a alcançar maior popularidade e reconhecimento considerável, lançado em 2004, “Rubber Factory” emplacou músicas em trilhas de filmes e games diversos. Manteve a constância em “Magic Potion” lançado em 2006, emplacando novos hits e passando a abrir shows de grandes bandas, como Pearl Jam e Radiohead. Já no quinto álbum, “Attack & Release”, lançado em 2008, a banda atingiu o 14º lugar na Billboard 200, mostrando que o cenário underground já não era o suficiente para o talento da dupla.

A coisa ficou realmente grande, com o lançamento de “Brothers”, em 2010, ali finalmente o Black Keys firmava seu nome na música atual, hits como “Next Girl”, “Tighten Up” e “Howlin’ For You” repercutiram bem e tiveram videoclipes com boa veiculação na MTV, além dos sucessos o álbum é composto somente de canções excelentes, calcadas no blues, com influências claras de rock clássico, sem soar datado ou retro, como outras bandas chatíssimas contemporâneas a eles fazem. Esse disco mostra que uma banda pode beber numa fonte antiga, sem deixar de soar original e criativa. Vale lembrar, que o disco foi presença certa em quase todas as listas de melhores álbuns de 2010, tendo em muitas delas, ocupado o primeiro lugar.

A dupla é muito prolífica e não perdeu tempo, um ano após o lançamento do ótimo disco citado, lança em 2011 “El Camino”, outro álbum sensacional, que lançou como primeiro single “Lonely Boy”, seguido pela excelente “Gold On The Ceiling” e conta novamente com grandes canções. Como no ano anterior, o disco figura entre os principais do ano de 2011.

O Black Keys vem voando baixo e pedindo passagem a algum tempo no mundo do rock, porém ainda são rotulados em muitos veículos como indie rock, cujo significado até hoje não sei ao certo qual é, só sei que indie tem origem de independente, porém o preconceito em torno desse som é muito grande e muitos amantes do rock passam longe deste excelente som, devido a um simples rótulo. Sinceramente, não sei o que é pior, quem se preocupa em rotular ou quem deixa de ouvir algo por causa disso. Enfim, quem ouvir, dificilmente não irá gostar.

Vale um destaque também para o guitarrista Dan Auerbach, um daqueles caras te faz viajar com o som do seu instrumento, é definitivamente um dos melhores guitarristas do rock atual, ao lado de Josh Homme e Jack White.

Se você ainda não havia ouvido falar no The Black Keys, pesquise e baixe o disco “Brothers” e verá que nesse caso não é exagero da imprensa especializada, o som é incrível, criativo e moderno, sem perder a pegada rock n’ roll da parada. Caso já tenha ouvido falar e virado o nariz, preste mais atenção, longe das amarras do ouvido e verá que é um som de altíssima qualidade feito bem diante do nosso nariz, no nosso tempo.

É raro quando ouvimos falar em novidades no mundo da música notarmos algo realmente novo naquilo, tendo em vista que já apareceram umas quarenta ‘salvações do rock’, mas nesse caso o termo é totalmente válido, pois o que esses dois caras fazem é som da mais alta qualidade e sim, é pra tudo isso mesmo. E antes de achar que é indie, metal, hard ou hardcore, que tal ouvir o som? Não custa nada e, no máximo, você vai excluir o arquivo ou quem sabe ganhar uma grande dose de diversão com um novo som.



David Oaski

terça-feira, 31 de julho de 2012

PORQUE O FOO FIGHTERS É A MELHOR BANDA DO MUNDO...




Todo mundo sabe a origem do Dave Grohl, mas não custa nada reforçar. Ele espancava a bateria no Nirvana até o suicídio de Kurt Cobain, em 1994. Após o trágico acontecimento ele viveu um dilema, pois tocou em alguns shows com Tom Petty, na sua banda Tom Petty & The Heartbreakers, sendo então convidado para ser um integrante fixo da banda, porém Dave recusaria o convite, explicando a Tom que possuía algumas composições próprias e gostaria de gravá-las, surgia então o Foo Fighters. Graças a Deus Dave arriscou.

Ao longo desses dezessete anos de carreira, os caras se estabilizaram no cenário do rock alternativo desde o princípio, com o primeiro disco gravado com Dave Grohl tocando todos os instrumentos, passando por ótimos discos, sempre com músicas sendo veiculadas em rádios rock e clipes bastante veiculados na Mtv. No entanto, a banda era tida como mais uma no cenário do rock dos anos 90, porém surgiu uma composição no ano de 2005, no disco ‘In Your Honor’, a canção era ‘Best Of You’, daí em diante a mídia e grande parte do público passaram a olhar de forma mais respeitosa para a banda, e foi dada mais atenção a composições antigas tão fortes quanto a mencionada, como ‘Times Like These’, ‘Everlong’, ‘My Hero’, entre outras.
Ao meu ver alguns motivos fazem do Foo Fighters a maior banda de rock da atualidade. São eles:


1- O som
As bandas hoje em dia se preocupam tanto com a estética visual da banda, videoclipes super produzidos, poses sensacionais, mas se esquecem que o principal ainda é o som, pois sem esse elemento todos os outros perdem o sentido. O Foo Fighters possui uma consistência fenomenal ao longo de sua discografia, mantendo alto nível nas composições, sempre com ótimas melodias e letras inspiradas de Grohl. A cereja no bolo foi o ótimo álbum lançado em 2011 – talvez o melhor da carreira da banda – ‘Wasting Light’, gravado inteiro na casa de Dave Grohl, em fitas de rolo, de forma totalmente orgânica, três guitarras e rock n’ roll na essência. Além disso, vale lembrar que a banda possui ótimos músicos, que não são exibicionistas ou virtuosos, mas todos plenamente competentes em seus instrumentos, Taylor Hawkins detona na bateria, Chris Shiflett, Pat Smear e Nate Mendel também são ótimos músicos e Dave canta muito, além de ser um músico completo.


2- O momento da banda
A banda se encontra no auge, lançando trabalhos incríveis, fazendo shows memoráveis, tocando nos principais festivais ao redor do mundo, com um repertório de mais de duas horas, que não deixa ninguém parado ou sentindo falta de um ou outro sucesso.
Sei que ainda existem dinossauros na ativa, como Kiss, Metallica, Iron Maiden, U2 ou Aerosmith, mas esses caras estão em momentos diferentes, pois já tem seu nome consagrado eternamente na história do rock e não precisam provar mais nada a ninguém, o que resulta numa inevitável acomodação. O Foo Fighters ainda está no caminho para encontrar essas grandes bandas, com certeza um ou dois degraus abaixo, mas no momento, nesse extrato de tempo, a banda é que está produzindo melhor no mundo.


3- As Letras
Novamente mérito do front man da banda. Grohl tem um talento indiscutível na composição de canções. Desde o início da carreira ele mostra uma habilidade em pegar melodias simples e fazê-las tocar corações, tal como fazem Bob Dylan ou Paul Mccartney. Quais compositores atualmente se preocupam em dizer alguma coisa através de suas canções? São realmente poucos e isso é realmente um grande diferencial, pois letras como ‘Walk’, ‘Best of You’, ‘Times Like These’, entre outras, sempre vão te tocar de alguma forma.


4- O carisma de Grohl
O cara já tocou com todo mundo que você admira, sério, todo mundo mesmo. De Josh Homme a Paul Mccartney, de Bruce Springsteen a Led Zeppelin, de Joan Jett a Cage The Elephant. Não à toa, Grohl possui a fama de ‘o mais gente boa do rock’, o cara tem um carisma inacreditável que transcende o palco, contagiando a todos ao seu redor. Não, ele não é santo, como o documentário ‘Back and Forth’ mostra, mas ele é sim um cara muito bacana e o melhor de tudo dessas parcerias, surgiram Them Crooked Vultures, Probot, entre outros projetos.


5- O Feeling
Não vivi os anos sessenta, setenta, muito menos os oitenta, mas sempre que leio ou vejo comentários sobre essas épocas, todos dizem que na música rolava uma certa vibração, fosse através do vinil, da arte da capa, rolava um imenso frisson ao comprar um disco e a cada vez que você se dispunha a escutá-lo. Muito disso se perdeu no decorrer dos anos, com o advento da Internet, com a imbecilização da população ou pela falta de interesse geral. No meu entender o Foo Fighters resgata um pouco dessa sensação, do som da banda ser quase algo palpável, que você sente arrepios e tudo mais. É difícil de explicar em linhas, mas quando você sente, você sabe o que é.


Enfim, o Foo Fighters é um das bandas do meu coração e de muitos da minha geração, mas não sou um fã alienado, procuro analisar com coerência a carreira da banda e, no meu entender, não existe nenhuma banda no mundo superior a essa no momento.

Eles possuem aquele pacote que alimenta os fãs de boa música, nome forte, canções marcantes, grandes letras, performance de palco matadora e são honestos no que fazem, isso tudo faz deles únicos na atualidade.

Que eles sigam a caminho de se tornarem gigantes e mantenham acesa essa chama que move todos aqueles que são apaixonados por música de qualidade.





David Oaski






sábado, 28 de julho de 2012

MONEYBALL - O HOMEM QUE MUDOU O JOGO




Nota: 8,0

Moneyball é um filme americano, dirigido por Bennett Miler, baseado no livro de Michael Lewis e estrelado por Brad Pitt e Jonah Hill, lançado em 2011. O enredo gira em torno da história real de Billy Beane, então manager do time de beisebol Oakland Athletics, que tenta montar um time competitivo com baixo orçamento para a temporada de 2002.

O filme inicia com Billy (Pitt), fazendo seguidas reuniões com uma espécie de conselho técnico tentando resolver como substituiriam os principais jogadores da equipe que estava de saída para equipes de maio porte. Tais reuniões são muito superficiais, sendo que os conselheiros são todos velhos, muitos deles conservadores e com conceitos ultrapassados, deixando Billy totalmente frustrado.

Durante uma visita a um outro clube em busca de negociação de jogadores, Billy conhece Peter Brand (Jonah Hill), um jovem recém formado em economia em Yale, que possuía uma forma de analisar beisebol totalmente nova e revolucionária através de cálculos e estatísticas. Billy vê algo em relação ao garoto que lhe chama atenção, apesar de ficar com o pé atrás, resolve contratar Peter.

Daí em diante, Billy resolve seguir as dicas de Peter para substituir os atletas que saíram e apresenta as sugestões de seu pupilo na reunião seguinte, causando espanto nos velhos tradicionalistas, pois os jogadores selecionados eram aqueles que outros times e a liga de um modo geral desprezavam, fosse devido à lesões, problemas disciplinares, idade, etc. Apesar das ressalvas e até discordância da maioria dos conselheiros, Billy banca sua decisão e decide iniciar a temporada confiando piamente no modelo de trabalho do jovem Peter, o que causa imensa desconfiança por parte dos outros membros da administração do clube, já que o mesmo nunca havia jogado, além dos velhos não confiarem na tecnologia.

A temporada inicia de fato e o que todos previam de fato acontece, o time é um desastre, perde vários jogos de forma humilhante, sem qualquer poder de reação e como era de se esperar, os questionamentos em cima do trabalho de Billy e Peter passam a ser enormes. Apesar da pressão, Billy não parece nem um pouco inclinado a modificar a forma de trabalho, pois ao seu ver o risco era válido, já que o time possuía baixo orçamento e essa era uma forma de tentar algo novo, que poderia ou não dar certo.

Surge outro problema, o técnico da equipe, Art Howe (Philip Seymour Hoffman), não concorda em escalar o time da forma que Billy gostaria, dizendo que seria impossível justificar tais alterações. A situação é muito complexa, pois Billy tem uma forma de trabalho, na qual não se envolve com os jogadores, para poder ficar neutro em qualquer tipo de situação, além do que o treinador possui total autonomia para escalar o time que melhor entender.

No entanto já saturado com o fraco desempenho da equipe, Billy vai ao vestiário e vê a equipe em clima de festa, com jogadores dançando, som alto e tudo mais. Ele surta, bate nos armários e quando os jogadores entram em silêncio, ele diz: “Esse é o som da derrota”. Logo após ele resolve negociar alguns dos principais jogadores da equipe, tendo os identificado como as laranjas podres do elenco, além de forçar o técnico a escalar o time da maneira que ele considerava a melhor.

É curioso verificar no decorrer do filme a vida pessoal de Billy e a forma como ele encara toda a pressão por parte de seus companheiros de administração do time e da imprensa. A abordagem é bem humana, sendo que ele sofre junto com o time e sequer consegue acompanhar qualquer partida ao vivo. Ele tem uma filhinha, resultada de um casamento já encerrado, sendo que a mesma se mostra diversas vezes preocupada com o emprego do pai, fato que o deixa ainda mais angustiado. Vale lembrar que entre as cenas, ocorrem alguns flash backs que mostram a carreira frustrada de Beane como jogador de beisebol, fato que ele parece não ter superado até os dias atuais.

Após essas mudanças, Billy resolve se envolver mais intimamente com o time, mudando um pouco sua forma de trabalho, trazendo os jogadores para perto de si, apresentando as estatísticas de Peter para cada jogador individualmente, mostrando ao mesmo seus pontos fortes e o que ele poderia fazer para melhorar cada fundamento.

Daí como num passe de mágica, o time começa a jogar bem e engata a maior sequência de vitórias em todos os tempos, com 20 vitórias seguidas, sendo a última emocionante, com Billy atendendo a um pedido de sua filha e indo assistir ao jogo, em que os Athletics apesar de estarem ganhando com boa vantagem, cedem o empate devido a grande pressão, mas conseguem ganhar no final, quebrando um recorde na liga.

Apesar da marca histórica, o time não conquista a liga, o que deixa Billy tremendamente desapontado, porém seu trabalho é reconhecido e ele recebe uma proposta para treinar o Red Sox, com direito ao dirigente lhe dizer que aqueles que não seguirem o método do Oakland Athletics nos próximos anos estarão perdidos. Entretanto, Billy não se mostra contente com a campanha e Peter lhe mostra um vídeo em um rebatedor faz um home run, mas não nota e sai correndo pelas bases, até que seus companheiros o alertam do tento que ele realizou. É uma analogia para que Beane perceba o tamanho de sua conquista, genial por sinal.

Beane resolve recusar a proposta milionária dos Red Sox, que ganhariam a liga alguns anos depois seguindo a metodologia de Peter e Billy, sendo que Billy ainda segue em busca de um título. Ele justifica a escolha dizendo que a única escolha que ele havia feito por dinheiro, era a que ele se arrependia monstruosamente, que era justamente ter escolhido ser jogador de beisebol ao invés de estudar.

O filme é muito bom e conta com grandes atuações, rendendo várias indicações ao Oscar, mas o principal é que é uma ótima história, que apresenta um cara imponente, Billy, que se impõe através de sua personalidade no trabalho, mas é humano e possui problemas como todos nós, ou seja, é um herói da vida real. Grande filme. Altamente recomendado.




David Oaski


sexta-feira, 27 de julho de 2012

DIA DO ESCRITOR




Dia 25 de julho comemora-se o dia do escritor, mais uma dessas datas que só são lembradas em programas de rádio matinais e redes sociais. No entanto fiquei com vontade de escrever, talvez impulsionado pela data, não que eu seja um escritor, mas se escrever é somente o ato de inserir palavras entre o início de um parágrafo e o ponto final, então sou um escritor, medíocre, mas sou.

De todas as artes sempre a que mais me encantou foi a escrita, não a escrita por si só, mas a arte por detrás dela, a possibilidade de desenvolver histórias, linhas de raciocínio, opiniões, reportagens, enfim, sempre gostei dessa forma de expressão. Acho impressionante como autores talentosos conseguem desenvolver histórias brilhantes, nos ludibriar, nos encantar através de seus textos, que viram livros ou roteiros.

Existem alguns tipos de escrita, aquela breve e simplória, usada para escrever cartas, e-mails, alguns blogs (como esse) ou para reportagens de fofoca (sic). Existe também a prosa, que se caracteriza por textos mais objetivos, sem tantas normas, num ritmo acelerado e quase sempre mais divertido. E, há também, a escrita mais tradicional, com formalidades, riqueza na descrição de detalhes e bastante encheção de linguiça.

Infelizmente o hábito da leitura no Brasil vem caindo em desuso, se tornando sinônimo de caretice, ao ponto de pessoas dizerem nunca ter visto nada que as interessasse para ler. É de dar pena uma pessoa em sã consciência dizer uma coisa dessas. Se soubessem ao menos a infinidade que é o universo literário saberiam que sua vida que não é interessante e não os livros.

Nesta data, vale lembrar que qualquer indivíduo alfabetizado pode escrever, agora escrever bem é uma arte, por isso minha lembrança a Hunter S. Thompson, Jack Kerouac, Isaac Asimov, Ray Bradbury, entre tantos outros autores, roteiristas e letristas nacionais e internacionais, parabéns por fazer a vida se misturar com a fantasia, tornando tudo mais divertido.




David Oaski